Informações divulgadas pelo jornal Veja indicam que um relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal mostra a expansão do Comando Vermelho em diversas regiões do país, incluindo o Acre. De acordo com o documento, a facção tem presença consolidada em estados da região Norte, como Acre, Amapá, Pará, Rondônia e Tocantins, atuando diretamente e, em alguns casos, estabelecendo alianças pontuais com pequenos grupos criminosos locais.
O relatório aponta que a organização ampliou sua atuação para além das fronteiras brasileiras. Integrantes do grupo foram identificados operando em países como Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia. Nesses locais, segundo a Polícia Federal, são realizadas negociações de preços e definição de rotas para o tráfico de drogas e armas, além da utilização desses territórios como refúgio para foragidos da Justiça brasileira.
Na Colômbia, o documento destaca a relação entre integrantes da facção e dissidentes da antiga guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. De acordo com as investigações, essa cooperação tem como objetivo facilitar o transporte de cocaína para o território brasileiro, abastecendo o mercado interno e permitindo a exportação da droga para outros países.
A Polícia Federal também afirma que a Amazônia tornou-se estratégica para as operações do grupo criminoso. A extensa rede de rios e a densa floresta dificultam a fiscalização e favorecem a criação de rotas clandestinas. Entre elas está a chamada rota do Solimões, que utiliza o Rio Amazonas para transportar drogas produzidas no Peru e na Colômbia até o Brasil.
Além do tráfico de drogas, o relatório indica que a facção está envolvida em outros crimes na região amazônica, como financiamento de garimpo ilegal, grilagem de terras e contrabando de madeira e minérios. Segundo a PF, essas atividades funcionam tanto como fonte de renda quanto como mecanismo para lavagem de dinheiro.
As investigações também apontam um esquema internacional de tráfico de armas. De acordo com a Polícia Federal, brasileiros que vivem nos Estados Unidos compram peças e munições sob a justificativa de utilização em clubes de tiro ou empresas de manutenção. Posteriormente, esse material é enviado para o Paraguai, onde armas são montadas e depois encaminhadas para o Brasil sem numeração ou registro.
O documento destaca ainda que o comércio ilegal de armamentos ocorre muitas vezes em pequenas quantidades, prática conhecida entre investigadores como tráfico “formiguinha”. Nesse método, peças de fuzis entram separadamente no país, dificultando a fiscalização e o rastreamento do material.
Segundo o relatório, a estrutura do Comando Vermelho funciona em rede, o que permite que a organização mantenha suas atividades mesmo após operações policiais e prisões de lideranças. Para a Polícia Federal, o avanço territorial da facção e sua crescente atuação internacional reforçam a necessidade de cooperação entre instituições de segurança, compartilhamento de informações e ações coordenadas para combater o crime organizado.
