Carlo Ancelotti divulgou sua lista de 25 convocados para a última Data FIFA antes da Copa do Mundo, e o nome que domina todas as conversas não está nela. Neymar Jr., craque do Santos, fica de fora mais uma vez.
A justificativa do técnico foi seca: “Não chamei porque ele não está 100%. Preciso de jogadores 100%.”
O jogador vinha trabalhando fisicamente e declarando publicamente o desejo de voltar — mas Ancelotti nunca o convocou desde que assumiu o cargo, e não deu nenhum sinal de que vai mudar de ideia antes do prazo final, marcado para 19 de maio.
Para metade do Brasil, é uma decisão técnica necessária. Para a outra metade, é teimosia — ou o reconhecimento silencioso de um fim de ciclo que ninguém quer admitir em voz alta.
A convocação também levanta questões sobre escolhas no meio-campo. Casemiro, após uma temporada irregular no Manchester United, foi mantido na lista — o que muitos interpretam como uma concessão à história, não à forma atual. Fabinho, no Al-Ittihad, enfrenta o mesmo questionamento. Em contrapartida, Andrey Santos, do Chelsea, e Gabriel Sara, do Galatasaray, representam a renovação que a torcida pede há tempos.
A dúvida que fica: Ancelotti vai escalar os veteranos na Copa por respeito ao passado, ou terá coragem de confiar nos jovens quando o jogo valer de verdade?
Na defesa, o Flamengo marcou presença com três convocados — Alex Sandro, Danilo e Léo Pereira — o que acende o debate sobre se o clube carioca tem peso excessivo nas escolhas do treinador ou se simplesmente não dá para ignorar o momento dos jogadores.
Douglas Santos, que atua no Zenit da Rússia, também voltou à lista, reacendendo a polêmica sobre convocar atletas que jogam longe dos holofotes europeus. São escolhas que Ancelotti defende com convicção, mas que a imprensa brasileira não engole em silêncio.
No ataque, ao menos, há consenso: Vinicius Júnior e Raphinha chegam em estado de graça, e Endrick segue surpreendendo com maturidade rara para a idade. Mas a sombra de Neymar paira sobre tudo.
Com a lista final da Copa batendo à porta, cada treino do craque santista vira notícia, cada declaração vira esperança — ou despedida. O Brasil pode estar diante de uma Copa sem seu maior ídolo das últimas décadas, e a pergunta que ninguém consegue responder ainda é a mais simples de todas: foi a decisão certa?
