A Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias – ICF, divulgada recentemente pela Confederação Nacional do Comércio – CNC, indicou que o número de famílias brasileiras que têm intenção de consumo aumentou em todo o país, atingindo a maior pontuação desde fevereiro do ano passado, de 106,0 pontos, concentrando o consumo nas famílias com renda superior a 10 salários mínimos. Contudo, a intenção de consumo das famílias com menor renda foi impulsionada, em janeiro, para a compra de bens duráveis, como refrigeradores, fogões, televisores, entre outros, intensificada pela taxa de ocupação do emprego formal que, em 2025, atingiu o resultado histórico de 5,1%, incentivando as contratações.
A pesquisa leva em consideração sete indicadores que obtêm dados sobre o emprego atual; renda atual; nível de consumo atual; perspectiva profissional; perspectiva de consumo; acesso ao crédito; e momento para duráveis. De todos esses indicadores, somente a perspectiva atual do emprego e a renda atual apresentaram redução de 0,7%. Todos os demais indicadores, ao contrário, tiveram resultados positivos.
No Acre, apesar do ICF indicar expectativa de consumo das famílias em 115,8 pontos em fevereiro, esse resultado foi menor do que o observado em janeiro, uma redução de 0,52%, mas demonstrando um crescimento constante na intenção de consumo, também focado nas famílias com renda de até 10 salários mínimos, de acordo com as análises da Federação do Comércio do Acre.
Oposto ao resultado obtido em nível nacional, o indicador que trata da confiança no emprego atual aumentou, atingindo, em fevereiro, 123,1 pontos. Um aumento de 0,0% na comparação com janeiro deste ano.
Por outro lado, o indicador que observa a perspectiva profissional diminuiu em fevereiro, atingindo 140,7 pontos. Mesmo com redução, o indicador apresenta resultados favoráveis, tendo sido superior ao limite de confiança de 100 pontos. Esse resultado leva o indicador ao mesmo valor observado em março do ano anterior.
A renda atual também teve um declínio na comparação com janeiro, reduzindo 0,3%, sendo o indicador deste mês de 124,6 pontos. Essa redução ocorreu com maior intensidade nas famílias com renda superior a 10 salários mínimos.
Com relação às compras a prazo, janeiro e fevereiro apresentaram resultados superiores a 100 pontos, sendo os maiores observados desde fevereiro do ano passado, atingindo 103,6 e 102,5 pontos, respectivamente.
A perspectiva de consumo das famílias acreanas mantém-se com pontuação acima de 139 pontos ao longo de todo o período acumulado de fevereiro de 2025 a fevereiro de 2026, permitindo que produtos duráveis tenham uma elevação de intenção de consumo ao longo de fevereiro deste ano.
Segundo explica o assessor da presidência da Fecomércio-AC, Egídio Garó, “esses resultados, notadamente os observados nas famílias com renda de até 10 salários mínimos, apontam para uma intenção de consumo em bens duráveis, especificamente na linha branca, setor que padece, nos últimos anos, pelo resfriamento dos negócios no varejo. Isso é impulsionado pelas condições de emprego atual e renda, acompanhadas da redução da taxa Selic, o que incentiva o consumo com obtenção de crédito. Por fim, é relevante que as famílias acreanas evitem elevar seu grau de endividamento sem o planejamento doméstico executado, de forma a evitar que financiamentos futuros, sejam a curto, médio ou longo prazo, dificultem o cumprimento das obrigações mensais e, consequentemente, a inclusão nos mecanismos de proteção ao crédito”.

