Geração avançada ou geração “mimimi”?

Por Lúcio Costa

Vivemos na era da tecnologia absoluta. Tudo é rápido, tudo é imediato, tudo cabe na palma da mão. Nunca tivemos tanto acesso à informação — e, paradoxalmente, nunca pareceu tão difícil formar indivíduos emocionalmente fortes.

Há quem sustente, com certa nostalgia, que as melhores gerações foram as das décadas de 80 e 90. Não porque fossem perfeitas — longe disso —, mas porque aprenderam cedo o valor dos limites, da convivência e da frustração. Crescer, naquela época, significava entender que o mundo não se moldaria às nossas vontades.

A geração atual pouco conhece do que um dia chamamos de modernidade. Orelhões espalhados pelas ruas, máquinas de datilografia marcando o ritmo dos escritórios, brincadeiras que transformavam qualquer calçada em território de imaginação. Havia menos telas — e talvez mais presença.

Até a linguagem mudou. O que antes era apelido, hoje é imediatamente classificado como bullying. Evidente que ofensas e humilhações nunca devem ser normalizadas — uma sociedade decente protege seus jovens. Mas também é preciso cuidado para que o necessário combate à violência não produza uma geração incapaz de lidar com contrariedades.

Em 13 de julho de 1990, o Brasil deu um passo civilizatório ao criar o Estatuto da Criança e do Adolescente. O ECA tornou-se um marco na proteção integral de crianças e adolescentes, estabelecendo direitos e garantindo dignidade. Isso é inegociável.
Mas toda proteção exige equilíbrio.

A pergunta que precisa ser feita — ainda que cause desconforto — é outra: ao ampliar garantias, não estaremos, em alguns casos, reduzindo a autoridade de quem deveria formar caráter dentro de casa? Proteger não pode significar blindar da realidade. Educar nunca foi apenas acolher; educar também é corrigir, impor limites e ensinar que toda escolha traz consequências.

Talvez o maior risco do nosso tempo não seja criar uma geração sensível — sensibilidade é virtude. O verdadeiro perigo está em formar jovens que confundam proteção com ausência de responsabilidade.
Uma sociedade forte não se constrói apenas com direitos bem escritos, mas com deveres vividos diariamente.

No fim, o debate não deveria ser sobre qual geração foi melhor. A questão central é outra: estamos preparando nossos filhos para o mundo real ou tentando adaptar o mundo para que jamais os contrarie?

Porque o futuro não pertence aos mais protegidos.
Pertence aos mais preparados.

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