Os professores Carlos Moraes e Almecina Balbino compõem a chapa Juntos Pela Ufac, que disputa os cargos de reitor e vice-reitor da Universidade Federal do Acre (Ufac) na eleição marcada para o próximo dia 19 de março.
Não se trata exatamente de uma candidatura surgida do acaso ou do entusiasmo espontâneo da comunidade universitária. É, antes, a continuidade cuidadosamente planejada de um mesmo grupo dirigente que, há cerca de quinze anos, ocupa as principais posições de poder dentro da instituição ⎯ e que agora se apresenta com a ambição nada modesta de estender esse ciclo por uma terceira década.
Carlos Moraes é o atual pró-reitor de Extensão e Cultura. Almecina Balbino ocupa a Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia. Ambos integram o núcleo da administração vigente, cuja sucessão interna vem se processando desde 2012.
Primeiro vieram os dois mandatos do professor Minoru Kinpara (2012–2016 e 2016–2020). Em abril de 2018, Minoru afastou-se do cargo e a vice-reitora Margarida Aquino assumiu a reitoria, consolidando posteriormente dois mandatos próprios (2018–2022 e 2022–2026).
Se o novo projeto triunfar, a Ufac poderá completar algo próximo de 20 anos sob a direção essencialmente do mesmo grupo político-administrativo.
Mas o aspecto mais curioso dessa eleição não está apenas na longevidade do grupo no poder. Está, sobretudo, na composição do arco de apoios que sustenta a candidatura.
A chapa da continuidade conseguiu realizar um feito raro na política contemporânea brasileira: unir, sob o mesmo palanque, petistas e bolsonaristas.
Entre os apoiadores figura o senador bolsonarista Alan Rick, pré-candidato ao governo do Estado. Ao mesmo tempo, setores do PT local também aderiram à mesma candidatura, numa convergência que dificilmente poderia ser explicada por afinidade ideológica.
Enquanto, no restante do país, essas duas correntes se tratam como inimigas existenciais ⎯ trocando acusações que vão do autoritarismo ao comunismo ⎯, na eleição da Ufac a temperatura ideológica parece cair subitamente para níveis de cordialidade quase fraterna.
Ali, o que no debate nacional é descrito como antagonismo irreconciliável transforma-se, de maneira espantosamente pragmática, em parceria administrativa.
A explicação não passa exatamente por grandes convergências programáticas ou filosóficas. Passa por algo muito mais prosaico: espaços, cargos, comissões, influência.
E assim se produz um pequeno milagre político na universidade: o que no Brasil é guerra ideológica aberta, na Ufac torna-se acordo de conveniência.
Bolsonaristas e petistas, que no plano nacional vivem em permanente estado de combate, descobrem na política universitária que afinal não são tão incompatíveis assim ⎯ desde que estejam todos confortavelmente instalados no mesmo arranjo de poder.
A capivaragem termina por reproduzir discursos canônicos, onde promessas não realizadas por exatos 14 anos a fio retornam aos debates. Em meio aos devaneios, creches, residências estudantis, incentivos à pesquisa, extensão e ao ensino saem das bocas de maneira fácil.
No fim das contas, a palavra de ordem da chapa faz jus à realidade: tudo, absolutamente tudo, vira Juntos Pela Ufac.

