Bittar comenta relação com Bocalom após aliança com Gladson e Mailza: “Sempre estivemos do mesmo lado”

Por Kauã Lucca, da Folha do Acre

O senador Márcio Bittar (PL) comentou, em entrevista concedida ao podcast Bar do Vaz na última terça-feira, 10, sobre sua relação política com o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (sem partido). As declarações ocorrem após o parlamentar anunciar apoio à aliança formada pelo governador Gladson Camelí (PP) e pela vice-governadora Mailza Assis (PP) na composição de chapa para a disputa das eleições deste ano.

Nos últimos dias, Bittar havia afirmado à imprensa que a decisão de não apoiar Bocalom para o governo do Acre ocorreu após orientação da executiva nacional do Partido Liberal. Segundo o senador, a sigla definiu como prioridade a eleição do pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, além de ampliar a bancada no Senado Federal.

Durante a entrevista, Bittar destacou a longa trajetória política ao lado de Bocalom, ressaltando que ambos estiveram historicamente no mesmo campo político nas disputas contra o Partido dos Trabalhadores (PT) no Acre.

“Eu quero dizer que o Bocalom e eu somos parceiros, nós tivemos praticamente a vida inteira do mesmo lado, ou era eu, ou era ele, disputando o governo contra o PT. Você teve o Flaviano Mello lá no começo, e depois era eu e ele. Então praticamente, no meu caso, os 20 anos que o PT governou, eu passei os mesmos 20 anos disputando contra ele, que é perder na maior parte das vezes, mas sem desistir, sem me arrepender, porque eu lutei por aquilo que eu acredito. Então nós dois sempre tivemos praticamente o tempo inteiro do mesmo lado”, afirmou.

O senador também relembrou o processo de articulação política que antecedeu as eleições municipais passadas e disse ter atuado para reorganizar a base política que havia vencido as eleições de 2018 no estado.

“Quando foi agora a campanha passada municipal, mais uma vez, todo acreano sabe qual é o meu lado, não vota em mim enganado. Então quando eu percebi que a esquerda se reorganizava numa aliança com o MDB, que é o direito do MDB, eu sempre disse isso, mas de qualquer maneira, quando eu percebi, a esquerda estava se reorganizando com o MDB, PT, PC do B, Marina Silva, Lula, Jorge Viana, através do MDB do Acre, em candidaturas muito competitivas, em Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Brasileia”, disse.

Bittar acrescentou que, diante desse cenário, passou a trabalhar na reconstrução de uma aliança entre partidos e lideranças que haviam se dispersado após o pleito de 2018.

“Então coube um pouco a mim o trabalho de tentar rumo, arrumar tudo de novo. Conseguimos uma coisa que muita gente duvidava. Ter refeito a aliança foi fundamental para a vitória aqui em Rio Branco do Bocalom, do Zequinha em Cruzeiro do Sul e do Carlinhos do Pelado lá em Brasileia”, declarou.

O prefeito Bocalom, que agora busca um novo partido para concorrer às eleições, recebeu a negativa do PL sobre sua candidatura ao governo do Acre no último dia 3 de março – praticamente às vésperas de completar o prazo que o gestor da capital acreana tem para se ausentar do cargo para pleitear a vaga.

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