O estado do Acre foi um dos pontos de destaque no prognóstico hidrometeorológico para 2026 apresentado pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia durante o evento “Pré-Cheia”, realizado em Porto Velho (RO). As projeções indicam que o leste do Acre deve registrar chuvas acima da média até maio, período que concentra a maior parte das precipitações na Amazônia e costuma influenciar diretamente o nível dos rios e a rotina das comunidades ribeirinhas.
Segundo o meteorologista Laurizio Alves, o cenário climático deste ano está associado à atuação de uma La Niña de fraca intensidade, diferente do observado em 2023 e 2024, quando a região enfrentou períodos mais secos e forte incidência de queimadas. Outro fator destacado foi o aquecimento do Oceano Atlântico, que recentemente contribuiu para um período mais seco em estados amazônicos, incluindo o Acre e Roraima.
Durante a apresentação do sistema SipamHidro, o analista em ciência e tecnologia Flávio Altieri explicou que o monitoramento hidrológico mostra que a maioria dos rios da Amazônia permanece dentro da normalidade, mas alguns cursos d’água podem apresentar níveis abaixo da média em comparação ao ano passado. Entre eles está o rio Acre, monitorado em Rio Branco, referência para avaliação das condições hidrológicas no estado.
O especialista alertou que a situação exige atenção porque, mesmo durante o período chuvoso, alguns rios da região registraram níveis inferiores ao esperado nos últimos dois anos. Esse comportamento pode influenciar tanto o cenário das cheias quanto o risco de estiagem nos meses seguintes.
O prognóstico hidrometeorológico é considerado essencial para orientar ações de prevenção e planejamento nos estados da Amazônia Legal. As informações permitem antecipar medidas de defesa civil e reduzir impactos como alagamentos, prejuízos à infraestrutura urbana, contaminação de mananciais, doenças associadas à água contaminada e dificuldades de mobilidade em áreas ribeirinhas.
O evento reuniu especialistas de diversas instituições, entre elas o Serviço Geológico do Brasil, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o Operador Nacional do Sistema Elétrico e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, além de representantes do Ministério da Defesa. As projeções fazem parte do acompanhamento climático contínuo da Amazônia e servem de base para políticas de prevenção a desastres naturais em toda a região.

