O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), divulgou uma nota de repúdio, nesta terça-feira, 17, às declarações feitas pelo treinador do Vasco da Gama-AC, veiculadas em programas de televisão locais, relacionadas a denúncias de estupro envolvendo atletas sob sua responsabilidade.
De acordo com a secretaria, durante as entrevistas o treinador teria colocado em dúvida a atuação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), ao insinuar suposta parcialidade na condução das investigações. No documento, a Semulher afirma que questionamentos dessa natureza prejudicam a confiança nas instituições e podem impactar o enfrentamento à violência contra a mulher.
A nota também manifesta preocupação com o teor das declarações, classificadas pela pasta como misóginas e discriminatórias, ao atribuírem às mulheres responsabilidade por condutas praticadas por terceiros. O texto ressalta que a responsabilização por atos ou crimes é individual e que a transferência de culpa às vítimas configura culpabilização indevida.
Outro ponto destacado pela secretaria é a gravidade do crime de estupro e a importância do consentimento. Conforme a nota, a ausência de consentimento em qualquer momento caracteriza o crime, independentemente de encontros ou intenções anteriores. O documento ainda menciona que relatos de agressões físicas, como tapas e puxões de cabelo, agravam a situação ao se somarem à violência sexual.
A Semulher informou que acompanha as vítimas do caso e reiterou que nenhuma forma de violência contra a mulher é tolerável, seja física, sexual, psicológica ou institucional. A pasta também reafirmou o compromisso do governo do Estado com a proteção das mulheres, o respeito às vítimas e a valorização do trabalho das instituições públicas.
A nota é assinada pela secretária de Estado da Mulher, Márdhia El Shawwa.

