O Partido Comunista Brasileiro (PCB) anunciou, nesta terça-feira (10), que pretende disputar as eleições de 2026 no Acre com candidatura própria ao governo do Estado. A decisão foi comunicada por meio de uma carta pública divulgada pela direção partidária e, segundo a sigla, foi tomada em consenso com sua militância. Será a primeira vez que o partido lançará um nome próprio para o cargo de governador no Estado.
Na carta, o PCB afirma que, apesar das limitações institucionais, um governo estadual pode atuar como instrumento político voltado à promoção de direitos sociais e à melhoria das condições de vida da população. A candidatura é apresentada como uma alternativa ao atual grupo político que administra o Estado.
O documento reúne críticas à gestão do governador Gladson Cameli (PP) e à sua base política. De acordo com o partido, o modelo adotado pelo governo prioriza a terceirização de serviços públicos e a atuação do setor privado, o que, segundo a avaliação da sigla, tem impacto direto no acesso da população a políticas públicas nas áreas de saúde, educação e segurança.
Na área da saúde, o PCB menciona dificuldades para a realização de atendimentos, exames e cirurgias. Em relação à educação, o partido aponta problemas como falta de vagas, ausência de critérios transparentes na distribuição de matrículas, oferta limitada de ensino noturno, enfraquecimento da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e predominância de contratos temporários entre professores. O texto também faz referência a limitações na segurança pública, especialmente em regiões rurais.
A carta aborda ainda o financiamento do sistema eleitoral brasileiro. Segundo o partido, há desigualdade na distribuição de recursos entre as legendas, o que comprometeria a competitividade do processo eleitoral. O PCB critica o volume de recursos utilizados em campanhas e afirma que o modelo atual afasta parte da população do debate político.
Fundado em 1922, o Partido Comunista Brasileiro é uma das legendas mais antigas do país. Ao longo do século 20, teve atuação relevante no movimento operário e sindical, enfrentou períodos de ilegalidade e atuou na clandestinidade durante a ditadura militar (1964–1985). Atualmente, o partido mantém um programa político de orientação socialista e atuação em movimentos sociais, sindicais e estudantis.
De acordo com a carta, o partido pretende elaborar seu programa de governo de forma coletiva, com participação de trabalhadores, juventude e movimentos sociais. Entre os eixos mencionados estão o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a valorização da educação pública, investimentos em cultura, esporte e lazer, políticas de reforma agrária, incentivo à produção agroecológica e valorização dos servidores públicos.

