Mais de 70 organizações não governamentais (ONGs) exigem rejeição de proposta da União Europeia (UE) para aumentar a deportação de imigrantes. Alegam que a eventual implementação do pacto da Comissão Europeia para acelerar o repatriamento de imigrantes em situação irregular poderá expor a Europa a invasões domiciliares, vigilância intensiva e discriminação racial, à semelhança das políticas adotadas pelo ICE – a polícia de imigração – nos Estados Unidos (EUA).
No final de janeiro deste ano foi apresentada pela Comissão Europeia a Estratégia
Europeia de Gestão do Asilo e da Migração, cuja proposta pretende reduzir a
entrada de pessoas sem a documentação necessária na União Europeia, reforçar a
política de vistos, intensificar o controle das fronteiras externas e acelerar os
repatriamentos de pessoas em situação irregular.
Em declaração conjunta publicada nesta segunda-feira (16), 75 organizações não governamentais insurgiram-se contra o projeto desse regulamento, que deverá vigorar durante os próximos cinco anos se aprovado, mas que vai ainda a votações no Parlamento Europeu no início de março.
Assinado pela Plataforma para a Cooperação Internacional sobre Migrantes Indocumentados (Picum, na sigla em inglês) e pela organização Médicos do Mundo, o documento alerta que a ampliação das operações de busca e apreensão de migrantes em espaços públicos e privados poderá transformar profundamente os espaços do cotidiano na Europa.
De acordo com a diretora da Picum, Michele LeVoy, estamos perante uma eventual “expansão e normalização do perfilamento racial, a vigilância nos serviços públicos e operações semelhantes às realizadas pelo ICE nos Estados Unidos, incluindo casas particulares”, segundo a Agência Lusa.
“Não podemos ficar indignados com a ação do ICE nos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, apoiar essas práticas na Europa”, disse ela.
Agência Brasil
