Durante a Eletrolar Show 2025, em São Paulo, a Xiaomi apresentou oficialmente ao público brasileiro o CyberDog 2, seu cão-robô equipado com inteligência artificial. Segundo informações divulgadas pela própria empresa no evento, o robô possui design mais compacto e realista, é capaz de reconhecer rostos, vozes e gestos, além de executar movimentos complexos como cambalhotas e até andar de skate, operando com o auxílio de 19 sensores.
O lançamento é mais um exemplo de como, a cada dia, a tecnologia baseada em inteligência artificial ocupa espaço crescente em nossas vidas. Táxis autônomos, casas e carros automatizados e cirurgias realizadas com auxílio de robôs já não pertencem apenas ao imaginário futurista — fazem parte da realidade contemporânea.
Curiosamente, esse futuro foi imaginado décadas atrás. Em 1963, estreava no Brasil o desenho animado Os Jetsons, que projetava o cotidiano do ano de 2062. A série apresentava carros voadores, casas inteligentes, robôs domésticos e uma sociedade totalmente integrada à tecnologia. Entre 1984 e 1987, novos episódios reforçaram essa visão de um mundo altamente automatizado, que à época parecia distante e improvável. Hoje, a pergunta é inevitável: chegamos a essa era?
Ainda não nos deslocamos em carros voadores, mas convivemos com algoritmos que decidem rotas, indicam conteúdos, diagnosticam doenças e aprendem comportamentos humanos. A ficção científica, aos poucos, vem sendo incorporada ao cotidiano.
Esse avanço, porém, levanta questionamentos profundos. Qual será o destino do ser humano daqui a 30 anos? Existirão empregos como os conhecemos hoje? Em um mundo onde máquinas demonstram eficiência, precisão e até “empatia programada”, nossos animais de estimação poderão ser substituídos por versões artificiais, como o CyberDog?
As respostas ainda não estão claras. O progresso tecnológico avança em ritmo acelerado, enquanto as reflexões éticas, sociais e humanas tentam acompanhar esse movimento. O grande desafio não está apenas em desenvolver máquinas cada vez mais inteligentes, mas em definir os limites e o papel da tecnologia na preservação daquilo que nos torna humanos. Hoje, essas perguntas permanecem em aberto. Amanhã, talvez façam parte do cotidiano. E, possivelmente, serão nossos netos os responsáveis por responder aquilo que hoje apenas ousamos questionar.
Lúcio Costa – Jornalista/Articulista

