Em liquidação ordinária, o Banacre convocou seus acionistas para Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária no dia 20 de março de 2026, às 10h, na sede administrativa localizada na Avenida Ceará, em Rio Branco. Na pauta está o exame e a aprovação das demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2025, além de outros assuntos administrativos.
O relatório apresentado pelo liquidante Marcelo Messias de Carvalho detalha a situação patrimonial da instituição, que segue em processo de liquidação e depende integralmente de repasses do Governo do Estado do Acre para custear suas despesas operacionais.
Em 2025, o Banacre registrou prejuízo líquido contábil de R$ 1.664.832,16. O resultado é inferior ao de 2024, quando o prejuízo foi de R$ 2,5 milhões, mas mantém a trajetória negativa típica de empresas em fase de extinção.
As receitas operacionais somaram R$ 3,37 milhões, oriundas principalmente de repasses governamentais. Já as despesas operacionais alcançaram R$ 4,79 milhões, puxadas por gastos com pessoal, encargos sociais e despesas administrativas. Também foram registradas despesas não operacionais de R$ 246 mil.
Com isso, o saldo acumulado de prejuízos chegou a R$ 224,59 milhões até 31 de dezembro de 2025, aprofundando o patrimônio líquido negativo, que encerrou o exercício em R$ 200,22 milhões negativos.
O passivo não circulante do banco totaliza R$ 200,22 milhões, concentrado principalmente em provisões fiscais e contingências judiciais.
Entre os principais valores está a dívida inscrita na Dívida Ativa da União, que soma R$ 84,45 milhões relacionados a tributos federais, incluindo Imposto de Renda, CSLL e PASEP. Esses débitos estão judicializados, com exigibilidade suspensa por decisão judicial, mas permanecem contabilizados por determinação do Tribunal de Contas do Estado.
Além disso, o banco mantém provisão de R$ 4,37 milhões referente a sete ações trabalhistas em tramitação na Justiça do Trabalho e R$ 868 mil relativos a ações na Justiça Comum.
Também estão provisionados R$ 2,06 milhões referentes ao Programa de Demissão de Pessoal, além de R$ 781 mil em férias e licença prêmio acumuladas.
Atualmente, o Banacre conta com 12 funcionários vinculados ao processo de liquidação. A instituição funciona em imóvel alugado na Avenida Ceará, ao custo mensal de R$ 6.275,49, contrato que vence em março de 2026.
As despesas administrativas somaram quase R$ 4,8 milhões no exercício, sendo cerca de R$ 2,09 milhões destinados a proventos, benefícios e encargos sociais de pessoal.
O ativo total do Banacre é de apenas R$ 9.758,48, composto basicamente por disponibilidades bancárias. O valor evidencia a situação de esvaziamento patrimonial da instituição, que teve seus ativos transferidos ao Estado do Acre no processo de liquidação iniciado após a federalização do sistema financeiro estadual.
As demonstrações contábeis foram elaboradas conforme a Lei das Sociedades por Ações e receberam parecer favorável do Conselho Fiscal. Caberá aos acionistas deliberar sobre a aprovação das contas e os encaminhamentos relacionados à continuidade do processo de liquidação.
O relatório destaca que o resultado negativo é considerado compatível com o estágio atual da instituição, uma vez que o processo de extinção exige o reconhecimento de provisões fiscais, trabalhistas e judiciais que impactam diretamente o balanço.

