Parlamentares de direita reagiram às fantasias utilizadas por uma ala da Acadêmicos de Niterói, no desfile deste domingo, que mostrou famílias conservadoras “dentro” de latas de conserva. A reação ocorre em meio àtentativa da oposição de judicializar o desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por suposta propaganda eleitoral antecipada, o que poderia torná-lo inelegível. Nas redes sociais, bolsonaristas criaram fotos de suas famílias, com auxílio de inteligência artificial, para ironizar a ala da escola de samba.
Denominada “neoconservadores em conserva”, a ala retratou um grupo que, conforme a Acadêmicos de Niterói, vota contra a maioria das pautas defendidas por Lula. As fantasias mostram um homem, uma mulher e duas crianças que retratam representantes do agronegócio, evangélicos e membros da direita, que “defendem pautas como flexibilização do porte de armas, exaltação às Forças Armadas e valores tradicionais da família”.
Em reação, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que o desfile expôs “a fé cristã ao escárnio” em nome da “cultura travestida de politicagem”. Ela também cobrou um posicionamento da Frente Parlamentar Evangélica da Câmara dos Deputados para rebater o desfile.
“Dizem que o país é laico, mas laicidade não autoriza zombaria e humilhação. O que foi apresentado era conhecido, foi permitido e feriu milhões de brasileiros”, escreveu Michelle.
Em seguida, o presidente da Frente Parlamentar dos evangélicos, deputado federal Gilberto Nascimento (PSD-SP), definiu a fantasia como “inadmissível”, alegou que o desfile tratou os conservadores como inimigos e, ainda, afirmou que tomará “as medidas cabíveis”.
— O que vimos ontem, uma escola de samba querendo ridicularizar, os mais de 70 milhões cristãos brasileiros, foi uma ofensa, um insulto, uma afronta. E, lamentavelmente, financiadas com dinheiro público — disse Nascimento.
O Globo
