A cheia do Rio Acre provocou prejuízos expressivos na zona rural de Rio Branco, com perdas estimadas em mais de R$ 18 milhões, segundo levantamento preliminar da Defesa Civil Municipal. Os dados foram apresentados pelo coordenador do órgão, tenente-coronel Cláudio Falcão, que também informou a preparação de uma operação de ajuda humanitária para atender as comunidades atingidas.
De acordo com a Defesa Civil, 23 comunidades rurais foram afetadas por sucessivas inundações registradas em dezembro, em meados de janeiro e no fim de janeiro. Em cinco dessas localidades, pontes ficaram submersas, o que dificultou o deslocamento dos moradores e o acesso por via terrestre.
Mesmo com o isolamento parcial, equipes utilizaram embarcações para garantir o transporte de pessoas e pequenos veículos, como motocicletas. Ainda assim, a situação trouxe dificuldades às famílias que dependem da infraestrutura local para deslocamento e escoamento da produção.
O levantamento aponta que cerca de 250 famílias, o equivalente a aproximadamente mil pessoas, foram diretamente afetadas nas áreas que chegaram a ficar isoladas. Considerando todas as comunidades atingidas, o número chega a cerca de 1.800 famílias, ou mais de seis mil pessoas impactadas.
Grande parte dessas famílias tem na agricultura familiar a principal fonte de renda e subsistência. Entre as culturas mais prejudicadas estão mandioca, milho, banana e hortaliças, além de perdas na piscicultura, pecuária e produção leiteira. Segundo a estimativa da Defesa Civil, cerca de R$ 12 milhões em prejuízos correspondem à agricultura e aproximadamente R$ 6 milhões à pecuária.
A Defesa Civil informou que está organizando uma operação de ajuda humanitária, com previsão de início antes da metade de fevereiro. A logística, porém, ainda enfrenta desafios devido às condições de acesso a algumas comunidades, onde o transporte depende da travessia de pontes danificadas ou do uso de embarcações.
“Já estou com o plano de trabalho pronto. Estamos montando a operação, mas ainda não conseguimos iniciar porque muitos locais continuam de difícil acesso. Não dá para chegar com caminhões, tem que atravessar pontes, usar embarcação. É uma logística muito complicada”, explicou Falcão.
A ação deverá priorizar a distribuição de alimentos e kits de apoio às famílias atingidas. As cestas básicas utilizadas nas operações têm cerca de 36 quilos, incluindo itens essenciais como arroz e outros produtos de primeira necessidade.
A Defesa Civil informou que segue monitorando a situação das comunidades e as condições de acesso para viabilizar o início da operação de assistência.

