O Acre aparece no topo do ranking nacional de densidade de templos religiosos. Dados do IBGE, com base no Censo Demográfico 2022, apontam que o estado possui 554 igrejas ou templos religiosos. Proporcionalmente à população, o número coloca o Acre entre as maiores densidades de templos do país.
O levantamento também indica que há aproximadamente um templo religioso para cada 69 domicílios no estado. Além disso, o Acre possui a maior proporção de evangélicos do Brasil, com 44,38% da população, de acordo com os dados.
Quando os números são comparados com a estrutura educacional, chama atenção a proximidade entre as quantidades. A rede estadual de ensino do Acre possui entre 592 e 612 escolas, de acordo com dados educacionais mais recentes.
Embora o sistema educacional completo, incluindo redes municipais e instituições privadas, ultrapasse 1.500 escolas de educação básica, é a rede estadual que concentra a maior parte das unidades administradas diretamente pelo governo.
Ao todo, o estado conta com aproximadamente 248 mil matrículas na educação básica. A estrutura educacional também tem forte presença no interior, com centenas de escolas localizadas em áreas rurais e comunidades indígenas.
De acordo com os números, os templos religiosos se aproximam da quantidade de escolas da rede estadual, o que ressalta a marcante presença das igrejas e líderes religiosos na vida social das famílias acreanas.
Luiz Cordeiro, pastor da igreja evangélica Método do Crescimento Profético, enxerga como positivo o alto número de igrejas no estado.
“O número elevado de igrejas é bom. As igrejas contribuem muito para o estado, elas trabalham com pessoas que estão em vulnerabilidade social, ajudando para que elas não peguem caminhos ruins. Quanto mais igrejas o estado tiver, na minha opinião, seria muito melhor. Prefiro que abra uma igreja do que um bar”, afirmou.
Cordeiro destaca ainda que o grande número de igrejas possibilita que as pessoas escolham a instituição que mais converge consigo.
“O importante é não dividir. Quando os pastores decidirem somar ao invés de dividir, quem vai ganhar será o evangelho”, finalizou.
Para o professor da rede estadual, Humberto Miranda, a forte influência das igrejas na vida social também alcança o ambiente escolar, o que pode entrar em conflito com o princípio do Estado laico.
“Embora as igrejas desempenhem um papel social importante, a escola pública deve priorizar a formação de cidadãos críticos, com base no conhecimento científico e no pluralismo de ideias. Quando a influência religiosa é excessiva, há o risco de limitar a autonomia intelectual e excluir estudantes com diferentes crenças. Garantir a laicidade na educação é essencial para proteger a liberdade de pensamento e a formação democrática dos estudantes”, pontuou.
Com informações O Acre Agora
