No Acre, 18.172 empresas estavam inadimplentes em novembro de 2025, número que acompanha o novo recorde nacional de 8,9 milhões de CNPJs negativados no país. Juntas, as empresas brasileiras acumulavam R$ 210,8 bilhões em dívidas, o maior volume desde o início da série histórica, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian.
De acordo com a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o avanço da inadimplência reflete um ambiente ainda marcado por juros elevados e crédito restrito. “Muitas empresas seguem com pouco espaço financeiro para absorver oscilações de custos ou de receita. Com o crédito mais caro, cresce a dificuldade de alongar dívidas, o que leva ao atraso de compromissos recorrentes”, avalia.
Os dados mostram que, em média, cada empresa inadimplente possuía 7 contas negativadas, com ticket médio de R$ 3.375,4. A dívida média por empresa chegou a R$ 23.790,8, indicando não apenas mais empresas endividadas, mas também valores mais elevados acumulados ao longo do tempo.
O setor de Serviços concentrou a maior parcela das empresas negativadas no país, com 55,2%, seguido por Comércio (32,7%) e Indústria (8,1%). Já na origem das dívidas, o maior volume esteve em Serviços (31,4%), superando Bancos e Cartões (19,9%) e Outros (18,0%), além de Cooperativas, Utilities e Telefonia.
Regionalmente, o Sudeste liderou a inadimplência, com 4,76 milhões de empresas, o equivalente a 53,7% do total nacional. Em seguida vieram Sul (1,44 milhão), Nordeste (1,36 milhão), Centro-Oeste (774 mil) e Norte (531 mil), região na qual se insere o Acre.
Do total de empresas inadimplentes no país, 8,5 milhões são micro, pequenas e médias, que concentram R$ 190,3 bilhões em dívidas. Segundo a Serasa, esse grupo é o mais vulnerável em ciclos de crédito restritivo, por ter menor acesso a financiamento e menos margem para renegociação, cenário que ajuda a explicar o avanço da inadimplência também no Acre.

