Seis homens tiveram o pênis amputado no Acre entre 2021 e 2025 em decorrência de câncer, conforme dados do Ministério da Saúde divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). No mesmo período, quase três mil procedimentos do tipo foram registrados em todo o país.
Informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) indicam que quatro óbitos pela doença ocorreram no estado: dois em 2022, um em 2023 e um em 2025.
O câncer de pênis é classificado como um tumor raro e está associado, principalmente, à má higiene íntima, especialmente em homens com fimose — condição caracterizada pelo estreitamento ou excesso de pele no prepúcio — e à infecção pelo papilomavírus humano (HPV). A doença acomete com maior frequência homens acima dos 50 anos. O levantamento também aponta a Região Norte entre as áreas mais preocupantes, em razão das limitações de acesso à informação e aos serviços de saúde.
O médico Fernando de Assis Ferreira Melo, coordenador do serviço de Urologia da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), em Rio Branco, explicou que a necessidade de amputação pode estar relacionada a diferentes fatores além da higiene inadequada. “Esse tipo de câncer, infelizmente, é muito frequente, é relacionado ainda as infecções penianas por fungos e em outros casos, quando o homem faz a prática da zoofilia, que é o sexo com animais. Contudo a maioria dos casos está ligada à falta de higiene adequada,” explicou.
Ainda de acordo com o especialista, o câncer de pênis é uma das poucas neoplasias cuja inflamação inicial pode ser evitada com medidas simples de higiene diária, como a lavagem adequada do órgão com água e sabonete, incluindo a exposição da glande durante a limpeza.

