O Acre iniciou 2026 com redução expressiva nos registros de dengue em comparação com o mesmo período do ano anterior. Dados acumulados até a 3ª semana epidemiológica apontam 485 casos prováveis da doença no Estado, dos quais 24 foram confirmados, o equivalente a 4,94%. No mesmo intervalo de 2025, haviam sido notificados 1.358 casos prováveis, com 1.316 confirmações, índice de 97% que evidenciava intensa circulação viral.
As informações constam do Boletim Epidemiológico nº 1/2026, elaborado pelo Núcleo de Doenças de Transmissão Vetorial da Secretaria de Estado de Saúde do Acre. A comparação revela redução de 64% nos casos prováveis e queda de 98% nos confirmados neste início de ano. Até o momento, não há registro de casos graves nem de óbitos relacionados à doença.
A análise por semana epidemiológica mostra que, enquanto em 2025 as três primeiras semanas apresentaram crescimento consistente de notificações, com 422, 470 e 466 casos prováveis, em 2026 os números foram inferiores em todas as semanas observadas, com 222, 214 e 49 registros. O comportamento indica cenário mais controlado neste início de período sazonal, embora as autoridades alertem para a necessidade de vigilância contínua.
Entre os casos confirmados em 2026, predomina o critério laboratorial. Dos 24 registros, 21 tiveram confirmação por exames diagnósticos, representando 87% do total, enquanto três foram confirmados pelo critério clínico epidemiológico. A predominância do diagnóstico laboratorial reforça a capacidade da rede de saúde para identificar a circulação viral de forma precisa.
A distribuição regional aponta concentração no Baixo Acre, que soma 16 casos confirmados. Rio Branco lidera com nove registros, seguida por Sena Madureira, com cinco. Nessa regional, 87,5% das confirmações ocorreram por critério laboratorial. Na Regional do Juruá Tarauacá Envira foram contabilizados oito casos confirmados, distribuídos entre Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Porto Walter. Já a Regional do Alto Acre não registrou casos confirmados até a 3ª semana epidemiológica.
Apesar da redução no número de ocorrências, dois sorotipos do vírus seguem em circulação no Estado, DENV 1 e DENV 2. Os quatro sorotipos conhecidos circulam no Brasil, e há alerta para a possibilidade de reintrodução do DENV 3 no Acre, já identificado em Rondônia. A introdução de um novo sorotipo pode elevar o risco de surtos, uma vez que amplia a população suscetível.
A Secretaria de Estado de Saúde recomenda que os municípios mantenham monitoramento semanal dos dados, integrem as áreas de vigilância epidemiológica, entomológica e atenção primária, intensifiquem a eliminação de criadouros e garantam notificação imediata dos casos suspeitos. Também orienta o envio oportuno de amostras para diagnóstico laboratorial e a ampliação das ações de comunicação de risco.
À população, a recomendação é eliminar água parada em recipientes, permitir a entrada de agentes de saúde nas residências, utilizar repelentes e procurar atendimento médico ao surgirem sintomas como febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos e dores no corpo. A orientação é evitar a automedicação e buscar assistência imediata diante de sinais de agravamento, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou sangramentos.

