quinta-feira, 5 fevereiro 2026

“A Câmara não é puxadinho da prefeitura”, dispara Zé Lopes em discurso duro contra gestão de Bocalom

Assessoria

Vereador Zé Lopes abre trabalhos na Câmara com discurso duro e críticas à prefeitura

O ano começou quente na política da capital: durante sessão na Câmara Municipal de Rio Branco, o vereador Zé Lopes fez um dos discursos mais duros contra a gestão do atual prefeito Tião Bocalom, ao criticar a fala do prefeito que diz que a prefeitura está perdendo poder de investimento porque boa parte dos recursos estariam sendo destinados à Câmara Municipal.

Segundo o parlamentar, essa afirmação não corresponde à realidade: “Não é verdade. Quando a prefeitura gastou mais de R$ 8 milhões com show de drones e decoração de Natal, ninguém disse que estava faltando dinheiro. Pelo contrário, o prefeito afirma que tem dinheiro sobrando sempre que quer justificar investimentos como embelezamento de viaduto ou aumento de repasse pras 1.001 casas que ele prometeu e nunca entregou”, afirmou.

O vereador questionou a tentativa de transferir à Câmara a responsabilidade pelos problemas enfrentados pela cidade.

Prioridades questionadas

Zé Lopes também criticou o discurso do prefeito, que na abertura dos trabalhos do legislativo, usou a tribuna para falar da execução de grandes obras, com recursos próprios, enquanto, segundo ele: “está faltando investimento no que é básico, não tem água, tão buraco, limpeza urbana, praças, parques nos bairros que seguem abandonados”.

Para o vereador, a gestão municipal tem priorizado apenas algumas áreas da cidade: “Parece que Rio Branco se resume às avenidas Dias Martins, Ceará, Chico Mendes e Antônio da Rocha Viana. Mas todos nós sabemos que os bairros, onde 90% das pessoas realmente vivem, estão abandonados”, declarou.

Impacto direto nas emendas

No discurso, Zé Lopes alertou que a redução das emendas parlamentares afeta diretamente políticas sociais essenciais.

“Reduzir o valor das emendas é tirar dos autistas, é tirar dinheiro da saúde, já que metade das emendas é obrigatoriamente destinada a essa área”, afirmou.

Ele também destacou os impactos sobre entidades sociais, igrejas e projetos comunitários que ajudam o recurso público a chegar em quem mais precisa: “também vão perder recursos as entidades de assistência social, igrejas e entidades religiosas que fazem um trabalho social pelos mais pobres, pelos dependentes químicos, que a prefeitura não alcança por pura falta de empatia com os mais necessidatos”, completou.

O vereador ressaltou ainda o impacto sobre políticas públicas voltadas às mulheres.

“Tivemos um aumento de 75% do número de feminicídios. Rio Branco segue não tendo Secretaria da Mulher, mas o prefeito quer impedir investimentos destinados às causas das mulheres. Destinei recursos para criação de oportunidades a partir de cursos e capacitações com entregas de kits práticos, para que elas possam sair da dependência econômica dos agressores e romper o ciclo de violência”, enfatizou.

Para Zé Lopes, o conflito entre Executivo e Legislativo vai além da questão financeira.

“Essa rasteira que o prefeito deu na Câmara e na sua própria base, que fez tudo o que ele pediu no último ano, não é por causa dos R$ 7 milhões”.

Segundo ele, a gestão municipal busca um responsável para os erros da própria administração e vai priorizar a eleição de Bocalom.

“Ele precisa achar um culpado por todo o mal que tem feito à nossa cidade. Investiu mal, pensando na sua eleição para governador, investiu mal pela própria vaidade e pela falta de empatia com quem mais precisa”, disse.

Encerrando o discurso, o vereador fez um apelo aos colegas parlamentares, a maioria da base do prefeito, reforçando o papel do Legislativo: “Eu conto com cada vereador aqui, porque sabemos do nosso papel. Somos nós que andamos nos bairros, somos nós que somos cobrados pela população. Somos nós que ouvimos as reclamações e tentamos dar soluções que a Prefeitura não atende”, concluiu.

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