O senador Márcio Bittar (PL) criticou, em vídeo publicado nas redes sociais, uma reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com representantes ligados ao Banco Master, instituição citada em investigações sobre supostas irregularidades financeiras. Na gravação, o parlamentar também comparou o caso à inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo Bittar, Bolsonaro foi declarado inelegível após uma reunião pública com embaixadores, na qual, segundo ele, o então presidente teria manifestado preocupações sobre o sistema eleitoral brasileiro. Em contraste, o senador afirmou que Lula teria participado de uma reunião “sigilosa” com um banqueiro envolvido em um dos “maiores escândalos financeiros da história do país”, sem sofrer consequências políticas ou jurídicas.
“O presidente Bolsonaro ficou inelegível por uma reunião pública com embaixadores. Agora, Lula se reúne com um banqueiro acusado de dar um rombo na economia brasileira, numa agenda secreta. E o que vai acontecer com o Lula? Nada”, disse o senador.
O caso mencionado por Bittar refere-se a uma agenda realizada em dezembro de 2024, quando Lula se reuniu com Daniel Vorcaro, fora da agenda oficial. Na ocasião, o presidente teria ouvido relatos sobre a situação operacional do Banco Master e, segundo informações divulgadas, teria afirmado que as questões apresentadas eram técnicas e deveriam ser direcionadas ao Banco Central.
A reunião teria sido articulada pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que solicitou um encontro com o chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Mantega chegou ao encontro acompanhado de Vorcaro e do então CEO do Banco Master, Augusto Lima, e, após o despacho, o trio teria conversado com o presidente Lula.
No vídeo, Bittar também relembrou condenações anteriores de Lula na Justiça, posteriormente anuladas por decisões judiciais, e afirmou que, na visão dele, “o crime compensou” para o presidente. O parlamentar criticou a justificativa de que reuniões presidenciais podem ser mantidas em sigilo por razões de segurança nacional, argumentando que o encontro não envolveria chefes de Estado, mas um banqueiro investigado.
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, meses após a tentativa de compra de parte da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB). No mesmo período, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras cometidas pela instituição.
Bittar afirmou ainda que o caso pode envolver figuras do Legislativo, do Executivo e do Judiciário, e defendeu a instalação de uma CPI no Senado para apurar as denúncias.
“Não vejo como o Senado não instalar a CPI para ir a fundo, porque o prejuízo para a economia brasileira é de todo mundo. Vamos ter que apurar o envolvimento de quem quer que seja, doa a quem doer”, declarou.
O senador também pediu apoio da opinião pública para que o caso não seja, segundo ele, “varrido para debaixo do tapete”, destacando a proximidade das eleições para o Senado e a importância da pressão popular.
