O Sindicato das Indústrias de Frigoríficos e Matadouros do Acre (Sindcarnes) projeta um possível déficit de 150 mil cabeças de gado para abate no Acre em 2026, caso seja mantido o mesmo volume de saída de bovinos registrado em 2025. A estimativa foi apresentada pelo presidente da entidade, Murilo Leite, após a divulgação oficial dos dados da Declaração de Rebanho pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), em coletiva de imprensa realizada na terça-feira, 13.
Segundo os números apresentados pelo governo estadual, o rebanho bovino acreano se manteve praticamente estável em 2025, com 5.177.000 cabeças, representando uma redução residual de 0,18% em relação ao ano anterior. Considerando uma taxa de desfrute de aproximadamente 20%, o total disponível para reposição e abate gira em torno de 1.035.000 animais.
O ponto de preocupação do setor industrial está no volume de gado que deixa o estado. De acordo com dados do Idaf, em 2025 foram 378.808 bovinos transferidos para outros estados, enquanto o abate interno somou 664.455 cabeças. Somados, os dois fluxos totalizam 1.043.263 animais, número compatível com a capacidade de reposição estimada para o período.
Para Murilo Leite, o cenário se torna crítico se, em 2026, for mantido o mesmo patamar de saída interestadual de bovinos — crescimento de 74,65% em comparação com 2024. Nesse contexto, o Sindcarnes calcula que poderá faltar matéria-prima para atender a capacidade das indústrias locais. “Os frigoríficos estão preparados para abater cerca de 800 mil bovinos”, afirmou o dirigente, ao destacar que, mantidos os atuais parâmetros de rebanho, taxa de desfrute e saída de animais, o déficit pode alcançar 150 mil cabeças.
O presidente do sindicato também destacou que a demanda interna por carne representa cerca de 30% da produção, enquanto os outros 70% são destinados a outros estados ou à exportação. Segundo ele, não há indicativos de retração do consumo em 2026. “Não há nenhum sinal de que a demanda por carne será menor neste ano”, afirmou.
Murilo Leite defendeu que o poder público acompanhe com atenção o cenário do setor pecuário, especialmente no que se refere à tributação. Ele citou como exemplo a diferença entre o valor praticado no mercado e a base de cálculo utilizada para cobrança de impostos sobre o bezerro, o que, segundo ele, impacta a arrecadação estadual e a competitividade da indústria local.
Por fim, o presidente do Sindcarnes destacou que o setor frigorífico realizou investimentos recentes e pretende ampliar mercados, inclusive no exterior. Segundo ele, o tema voltará a ser debatido no Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento, com foco na sustentabilidade da cadeia produtiva e na preservação de empregos no estado.
Com informações do ac24agro.
