sexta-feira, 9 janeiro 2026

Servidores da Saúde serão investigados pelo desvio milionário de medicamentos; pena é superior a de tráfico de drogas

Por André Gonzaga, da Folha do Acre

Operação apreendeu mais de um milhão em remédios e insumos hospitalares em casa no bairro da Pista, em Rio Branco

A Polícia Civil do Acre apreendeu, na manhã desta segunda (5/1), uma grande quantidade de medicamentos e materiais hospitalares desviados da rede pública de saúde.

O material estava guardado em uma residência no bairro da Pista, em Rio Branco, que funcionava como depósito irregular. O proprietário do imóvel, um homem de 74 anos, foi preso em flagrante.

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De acordo com o delegado Igor Brito, responsável pela operação, o local abrigava remédios de uso controlado, como fentanil, diazepam e cloridrato de sibutramina, além de insumos destinados a pacientes em tratamento de hemodiálise.

“A casa se mostrou um ponto de armazenamento de grande quantidade de medicamentos, inclusive de uso restrito. A Vigilância Sanitária está nos auxiliando na catalogação e na quantificação dos itens apreendidos”, afirmou.

O delegado explicou que os envolvidos podem responder com base no artigo 273 do Código Penal, que trata da falsificação e comercialização irregular de medicamentos.

A ação policial ocorreu no Beco da Glória, no bairro da Pista, em Rio Branco/Foto: Folha do Acre

A pena prevista, segundo ele, pode ser até maior que a aplicada em casos de tráfico de drogas, embora haja decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) questionando a constitucionalidade desse dispositivo.

Brito também destacou que há indícios de participação de servidores públicos da Saúde no esquema, já que os produtos foram desviados de unidades de saúde.

A Vigilância Sanitária do município foi acionada para avaliar a situação dos remédios apreendidos.

O auditor Javier Filho informou que muitos dos produtos estavam armazenados de forma inadequada, sem controle de temperatura e sem responsável técnico.

“Esse tipo de acondicionamento já inutiliza os medicamentos por si só. Vamos fazer uma triagem para verificar validade e lotes, mas parte do material deve ser descartada”, explicou.

A investigação, que durou cerca de dois anos, agora busca identificar quem comprava os medicamentos desviados e como funcionava a rede de distribuição. O caso será encaminhado à Justiça e pode resultar em novas prisões.

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