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Servidora pública denuncia negligência médica na UPA e PS após médicos não detectarem apendicite grave: ‘meu marido não merecia isso’

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A servidora pública Ádria Tavares denunciou, por meio das redes sociais, que seu marido, Macileudo Lima, foi vítima de negligência médica na rede pública de saúde de Rio Branco, após receber sucessivos diagnósticos incorretos e ter um quadro grave de apendicite ignorado por profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em vídeo, Ádria relatou que o marido começou a apresentar sintomas semelhantes aos de uma virose, como falta de apetite, náusea, vômito, dor abdominal, diarreia, febre e fadiga. Com a piora do quadro, principalmente com dores intensas no abdômen irradiando para a região genital, ele foi levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Segundo a servidora, a médica que realizou o primeiro atendimento não fez exame clínico físico, como a palpação abdominal, e suspeitou inicialmente de infecção urinária. Mesmo com exames de urina negativos, Macileudo foi liberado com antibiótico para tratamento em casa.

Com a persistência e agravamento dos sintomas, Ádria decidiu levá-lo ao Pronto Socorro, onde, apesar de classificado como prioridade pela equipe de enfermagem, novamente teria sido atendido sem exame físico adequado. Mesmo com a suspeita de apendicite levantada pela família, a médica teria insistido apenas em novos exames de sangue, sem solicitar exames de imagem de imediato.

Após horas de espera, um médico que assumiu o plantão realizou exame clínico e solicitou uma tomografia, diante da suspeita de apendicite. No entanto, conforme o relato, a profissional que analisou o exame posteriormente afirmou que se tratava apenas de gases e liberou o paciente com medicação sintomática, sem encaminhamento para avaliação cirúrgica.

Inconformada, Ádria buscou atendimento na rede particular. Na nova avaliação, médicos constataram um quadro grave de infecção e identificaram apendicite em estágio avançado. O paciente foi submetido a uma cirurgia considerada delicada, com presença de pus, fezes e necrose em parte do intestino, sendo necessário o uso de dreno.

“A apendicite já tinha estourado, já tinha feito um estrago muito grande no intestino dele. A médica que atendeu ele por último poderia ter encaminhado para o cirurgião, diante dos sintomas e da tomografia, já que ela se mostrou inexperiente e não teve um olhar técnico, porque ele já estava com todos os sinais de apendicite, mas ele foi negligenciado”, afirmou Ádria no vídeo.

A servidora disse ainda que decidiu tornar o caso público para alertar outras pessoas sobre a importância de buscar uma segunda opinião médica diante de diagnósticos duvidosos. “A situação do meu marido deveria ter sido evitada. Ele não merecia passar por isso. Se eles tivessem encaminhado meu marido para o cirurgião avaliar a tomografia e os sintomas”, declarou.

Após a cirurgia, Macileudo segue em recuperação, ainda com dificuldades para se alimentar, mas apresentando evolução clínica. A família afirma que o quadro ainda é delicado. “Vim expressar a minha revolta com os médicos que o atenderam, pela negligência, pela falta de profissionalismo e de empatia, pelo descaso. Agora é esperar pela recuperação dele. A situação ainda é delicada, mas, graças a Deus, ele está reagindo bem e se recuperando. Tenho fé em Deus que vai dar tudo certo”, concluiu.

A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) foi procurada pela reportagem para comentar a denúncia, mas não se posicionou até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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