Acordo prevê turismo comunitário, registro de saberes locais e apoio sustentável às famílias
A Reserva Extrativista Chico Mendes, em Xapuri (AC), foi escolhida como ponto inicial de um pacto firmado entre o Ministério da Cultura (MinC), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O acordo prevê ações conjuntas para documentar práticas culturais, incentivar o turismo comunitário e ampliar a renda de famílias que vivem em áreas protegidas, além de valorizar os modos de vida de povos tradicionais e fortalecer a relação entre cultura e natureza. Para isso, cada instituição terá papel definido.
O MinC atuará na promoção das expressões culturais em unidades de conservação. O Iphan usará o Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) para registrar saberes locais. O MMA integrará patrimônio cultural à gestão socioambiental, com foco em turismo e educação ambiental. O ICMBio, gestor das reservas, estimulará a participação social e apoiará iniciativas sustentáveis.
O acordo também se conecta a estruturas que fortalecem a cidadania e a diversidade, a exemplo das políticas nacionais de Culturas Tradicionais e Populares (PCTP) e de Cultura Viva (PNCV). A expectativa é que, a partir do Acre, o modelo se expanda para outras regiões, criando um acervo participativo e garantindo que comunidades que sempre estiveram na linha de frente da conservação tenham seus modos de viver reconhecidos e protegidos.
“Queremos construir caminhos que fortaleçam os direitos de povos e comunidades tradicionais que, por meio de suas expressões culturais, conservam também os recursos naturais”, disse o diretor de Patrimônio Imaterial do Iphan, Deyvesson Gusmão.
Criada a partir da luta de Chico Mendes, a reserva será a primeira unidade do país a receber essas medidas, em reconhecimento ao legado do líder seringueiro que transformou a defesa da floresta em política pública.
