quarta-feira, 21 janeiro 2026

“Quem bater em mulher não precisa votar em mim”, diz Lula ao defender pacto contra o feminicídio

Por Mirlany Silva, da Folha do Acre

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que homens que cometem violência contra mulheres não precisam votar nele. A declaração foi feita durante a participação em um evento na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, onde o governo federal assinou contratos para a construção de navios gaseiros, empurradores e barcaças.

Lula ressaltou que o enfrentamento ao feminicídio deve ser assumido principalmente pelos homens. “Quem tem que lutar contra o feminicídio não é a mulher, é o homem, porque é ele que é agressivo. Não há por que as pessoas serem violentas com a mulher. Não gosta mais, separa, vai embora”, afirmou.

O presidente citou casos recentes de violência extrema para reforçar a gravidade do problema. “O que não dá é a gente ver as agressões, um cara matar e arrastar uma mulher por um quilômetro. Um outro pegar a mulher no elevador e matar de soco. O outro matar uma mulher grávida, com três filhos e com filho na barriga. Que estupidez que é essa?”, questionou.

Segundo Lula, cabe aos homens assumir responsabilidade no combate à violência de gênero. “Nós homens é que temos que assumir a responsabilidade, ter juízo, responsabilidade e vergonha”, disse.

O presidente afirmou que o governo trabalha na construção de um pacto nacional contra a violência contra a mulher e foi enfático ao declarar: “Quem bater em mulher não precisa votar em mim. Não precisa”.

As declarações ocorrem em meio ao avanço dos casos de feminicídio no país. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que o Brasil registrou um novo recorde em 2025, com ao menos 1.470 ocorrências. O número supera os 1.459 casos contabilizados em 2024, um aumento de pelo menos 0,41%, e representa o maior patamar dos últimos dez anos.

O total de casos pode ser ainda maior, já que alguns estados, como São Paulo, não haviam atualizado completamente os dados de dezembro no sistema federal até o fechamento do levantamento. Mesmo assim, São Paulo lidera em números absolutos, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro.

No cenário estadual, o Acre aparece com os dados mais preocupantes proporcionalmente. Com 14 feminicídios registrados em 2025, o estado lidera o ranking nacional em taxa por habitante, estimada em 1,58 casos por 100 mil habitantes. Em números absolutos, o Acre supera estados como Amapá, com nove casos, e Roraima, com sete registros.

Diante do cenário, o governo federal sancionou, em outubro, uma nova lei que endurece as penas para o crime de feminicídio. A legislação elevou a punição para 20 a 40 anos de prisão e ampliou o rigor em situações com agravantes, como quando a vítima está grávida, é menor de 14 anos ou maior de 60, ou quando o crime ocorre na presença de filhos ou pais.

A nova lei também classifica o feminicídio como crime hediondo, determina prioridade na tramitação dos processos judiciais, estabelece pena de até cinco anos para casos de violência doméstica e aumenta a punição em um terço quando há descumprimento de medida protetiva.

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