O Partido dos Trabalhadores (PT) discute internamente a possibilidade de lançar uma chapa “puro-sangue” para as duas vagas ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026. No cenário considerado ideal por dirigentes da legenda, os nomes cotados seriam os dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Marina Silva (Meio Ambiente).
O projeto, no entanto, envolve uma reconfiguração política mais ampla. Para que Marina dispute o Senado pelo PT, seria necessário seu retorno ao partido, do qual se desfiliou em 2009. Nesse desenho, o candidato ao governo paulista seria o ministro Márcio França, atualmente filiado ao PSB.
Apesar das articulações, Marina Silva ainda não definiu qual caminho seguirá. A ministra avalia que perdeu espaço dentro da Rede Sustentabilidade, partido pelo qual foi eleita, e mantém conversas com outras legendas, como PSB e PSOL. A permanência no Ministério do Meio Ambiente também não está descartada e dependerá, segundo interlocutores, de uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevista para os próximos meses.
Embora sua saída da Rede ainda não esteja formalizada, a probabilidade de desligamento tem aumentado. Marina enfrenta atritos com a cúpula do partido, liderada por Heloísa Helena, sobretudo após mudanças no estatuto da sigla. O principal ponto de conflito é uma nova regra para as eleições de 2026, que estabelece prioridade apenas para parlamentares com pelo menos dois anos de exercício efetivo do mandato. Na prática, a norma inviabiliza a candidatura da ministra, que esteve licenciada nos últimos anos para chefiar a pasta ambiental.
Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou publicamente que não pretende disputar cargos eletivos em 2026. Em entrevista à jornalista Míriam Leitão, Haddad foi direto ao descartar uma candidatura. “Não está nos meus planos ser candidato em 2026. Nós vamos conversar. Não tenho nenhum problema em conversar com o PT nem com o presidente”, declarou.
Durante a entrevista, Haddad também comentou sobre sua possível saída do Ministério da Fazenda e afirmou que pretende contribuir de outra forma com o projeto político do partido. Segundo ele, o foco será ajudar na campanha de reeleição do presidente Lula. “Eu penso que posso colaborar de outra maneira para sua reeleição, eu pretendo ajudar na campanha. Já me coloquei à disposição do presidente do PT, Edinho Silva”, afirmou.
O ministro ainda sinalizou que uma eventual troca no comando da Fazenda deveria ocorrer no início do ano, para garantir continuidade administrativa. “Um substituto da Fazenda deveria começar o ano no cargo. A Fazenda tem decreto de execução orçamentária, programação financeira, tem todo um trabalho a ser feito que exige atenção desde o primeiro dia”, pontuou.

