“Quando a pessoa morre, tudo vira despesa. Velório, caixão, sepultamento. Sendo assim, eu preferi deixar tudo já organizado para minha família.”
A fala é do professor Paulo Onofre Lopes Craveiro, de 60 anos. O que para muitas pessoas é um temor, para ele despertou a necessidade de organização. Deficiente visual desde 2023 e em tratamento continuo de hemodiálise há seis anos, foi por conta de sua condição de saúde que ele decidiu construir o próprio túmulo ainda em vida, em Tarauacá, no interior do Acre, para evitar transtornos à família se precaver em relação à logística fúnebre.
O túmulo fica localizado no Cemitério São João Batista, único da cidade de Tarauacá. A obra foi concluída em 2025, em cerca de uma semana, e custou aproximadamente R$ 6 mil, incluindo mão de obra e materiais.
Segundo o professor, a ideia de antecipar a construção surgiu há cinco anos, quando passou a conviver com as limitações impostas pela doença. “Eu só quis deixar tudo encaminhado. Aqui é passagem, ninguém fica para sempre”, acrescentou.
O chefe de gabinete da prefeitura de Tarauacá, Edmundo Maciel, disse que o serviço de construção de um novo cemitério na cidade já foi licitado e contratado e que está sendo feita a construção do acesso e pavimentação até o local para iniciar obras no verão.
A estrutura do túmulo do professor tem apenas uma gaveta, é revestida em porcelanato preto com detalhes dourados e traz uma cruz com asas de ferro, inspirada no Salmo 91, da Bíblia. Cada detalhe da sepultura foi escolhido criteriosamente por Paulo.
“O preto representa o luto, e o dourado é voltado para a luz”, disse.
Informações G1
