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PM flagra adolescente em meio a sepulturas em cemitério no Acre: ‘As drogas estão roubando a infância’

Numa das madrugadas desta semana, durante patrulhamento de rotina, policiais militares de Tarauacá se depararam com uma cena que marcou profundamente a guarnição. Ao adentrarem o Cemitério São João Batista, sob chuva fina e no silêncio da noite, encontraram um adolescente sozinho, em meio às sepulturas.

Um jovem que deveria estar em casa, protegido pela família, acolhido pelo calor do lar, mas que estava ali. Vulnerável, exposto ao frio, ao abandono e aos riscos da madrugada. Uma imagem forte. Uma imagem triste. Uma imagem que não pode ser tratada como apenas “mais uma ocorrência”.

O relato de um dos policiais envolvidos é, acima de tudo, um desabafo e um alerta à sociedade. As drogas estão roubando a infância, afastando jovens de casa, rompendo vínculos familiares e empurrando adolescentes para caminhos de sofrimento, solidão e perigo. Cada situação como essa revela uma ferida social aberta, que insiste em sangrar diante dos nossos olhos.

A dependência química não destrói apenas o corpo. Ela corrói sonhos, apaga perspectivas, rompe laços e empurra jovens para cenários onde a vida perde valor e o futuro parece distante. Muitos desses adolescentes não são criminosos. São vítimas. Vítimas da falta de oportunidades, da ausência de políticas públicas eficazes, da fragilidade familiar e da sedução cruel do mundo das drogas.

A atuação da Polícia Militar, nesse contexto, vai muito além da farda, da abordagem ou do boletim de ocorrência. É também um chamado à reflexão. Um pedido silencioso para que a sociedade olhe com mais atenção para seus jovens. Para que o poder público invista mais em prevenção, esporte, educação, saúde mental e acolhimento. Para que as famílias não se calem diante dos primeiros sinais de perigo.

O cemitério, naquela noite, não foi apenas um local de sepulturas. Foi o cenário simbólico de uma juventude que corre o risco de ter seus sonhos enterrados antes mesmo de florescerem.

Que esse episódio sirva como alerta. Que não seja esquecido na rotina das madrugadas. E que, sobretudo, nos faça refletir: que futuro estamos construindo para nossos jovens?

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