Pela quarta vez consecutiva, a Secretaria de Planejamento do Acre (Seplan) realizou pesquisa de preços do material escolar em Rio Branco e identificou diferenças expressivas entre estabelecimentos. O levantamento constatou variação de até 991% no valor de um mesmo produto, a partir da comparação de preços em quatro papelarias e dois estabelecimentos comerciais da capital.
A pesquisa foi realizada entre 13 e 15 de janeiro e analisou 42 itens de material escolar, organizados em três categorias, sempre considerando produtos de marcas, quantidades e características iguais ou similares. O objetivo é orientar o consumidor sobre preços médios e variações percentuais, servindo como referência no momento da compra.
Destaques gerais
Entre todos os produtos analisados, a menor variação de preço foi de 3,1%, registrada no giz de cera (caixa com seis cores, 52 g). Já a maior diferença chegou a 991%, identificada na borracha branca sem suporte, cujo preço variou de R$ 0,55 a R$ 6,00, uma diferença absoluta de R$ 5,45.
No total, 28 dos 42 itens (66,7%) apresentaram variação superior a 100%, enquanto 14 produtos (33,3%) tiveram variação abaixo de 97%, o que evidencia forte dispersão de preços no comércio local.
Categoria I: cadernos e papel lideram variações
A Categoria I reuniu 10 produtos, dos quais cinco (50%) apresentaram variação acima de 100%. O menor índice foi registrado no papel sulfite A4 branco (pacote com 100 folhas), com 36,84%, enquanto o maior ocorreu no caderno espiral de 10 matérias, cuja variação chegou a 243,16%.
Itens como cadernos de uma matéria e refis para fichário também chamaram atenção, com oscilações que variaram de 102,6% a 200,5%, indicando falta de padronização de preços mesmo em produtos básicos.
Categoria II: itens simples com as maiores diferenças
Na Categoria II, composta por 16 produtos, apenas a lapiseira 0,5 mm apresentou variação inferior a 100%, com 56,3%. Em contrapartida, a borracha branca sem suporte concentrou a maior oscilação da pesquisa: 990,9%.
Produtos de uso cotidiano, como apontadores, canetas, lápis preto e corretivos, registraram variações entre 108% e 680%, reforçando que até itens de baixo valor unitário podem pesar no orçamento final quando não há comparação prévia.
Categoria III: metade dos produtos acima de 100%
Dos 16 itens da Categoria III, oito (50%) tiveram variação superior a 100%. O maior índice foi observado na tesoura escolar sem ponta, com 351,8%, enquanto novamente o giz de cera (seis cores) apresentou a menor variação, de apenas 3,1%.
Colas, lápis de cor e cadernos de desenho também apresentaram diferenças relevantes, com oscilações que superaram 200% em alguns casos.
Análise
Os dados mostram que o consumidor de Rio Branco enfrenta um mercado altamente desigual na formação de preços do material escolar. A pesquisa indica que marca, personalização e apelo visual, como produtos com personagens licenciados, influenciam diretamente os valores praticados.
Diante desse cenário, a Seplan recomenda que o consumidor compare preços, avalie qualidade e funcionalidade e evite decisões baseadas apenas na aparência ou na marca, já que produtos mais baratos podem atender plenamente às necessidades escolares, mesmo diante de diferenças percentuais tão elevadas.

