Nas últimas semanas, voltou a circular com força nas redes sociais e em aplicativos de mensagens um boato alarmista: o de que o Nubank estaria prestes a encerrar suas atividades no Brasil. A notícia, espalhada em tom de urgência e pânico, não é verdadeira. O Nubank não vai fechar. E a insistência desse tipo de rumor revela algo ainda mais preocupante do que a própria fake news: a fragilidade da educação financeira e informacional no país.
O Nubank segue operando normalmente, com milhões de clientes ativos, resultados financeiros públicos, expansão internacional e fiscalização contínua dos órgãos reguladores. Não há qualquer anúncio oficial, nem indício concreto, de encerramento das suas atividades. O que existe, de fato, é um processo regulatório em curso conduzido pelo Banco Central — algo absolutamente comum em um sistema financeiro sério e em constante evolução.
A origem do boato está ligada a mudanças regulatórias que tratam do uso da palavra “banco” por instituições financeiras. O debate é técnico, jurídico e administrativo. Em nenhum momento essas normas determinam o fechamento do Nubank ou de outras fintechs. No máximo, exigem adequações de estrutura societária, licenciamento ou comunicação institucional. Traduzindo para o português claro: ajustes de rota, não um naufrágio.
Transformar esse tipo de ajuste em “o Nubankvai acabar” é, no mínimo, desonesto intelectualmente. No máximo, criminoso do ponto de vista social, pois provoca medo, decisões precipitadas e insegurança econômica em pessoas comuns — muitas delas sem qualquer reserva financeira para absorver o impacto emocional desse tipo de boato.
Vivemos a era da economia digital, dos bancos digitais e da inovação financeira. Quem imagina que uma das maiores fintechsdo mundo simplesmente “fecha as portas do dia para a noite” desconhece completamente como funciona o sistema financeiro, a regulação estatal e o mercado de capitais. Bancos não evaporam por corrente de WhatsApp.
Aqui vai um conselho simples, mas poderoso: informação financeira deve ser tratada com o mesmo cuidado que se trata um diagnóstico médico. Antes de compartilhar, verifique. Antes de acreditar, questione. Antes de entrar em pânico, procure fontes oficiais.
O Nubank não está acabando. O que precisa acabar é a indústria do pânico digital, que lucra com cliques, medo e ignorância. Em tempos de incerteza econômica, a informação responsável não é apenas um dever do jornalismo — é um ato de cidadania.
Adriano Gonçalves é colunista do jornal Folha do Acre
