quarta-feira, 7 janeiro 2026

“O desejo de todos os migrantes venezuelanos é voltar à nossa nação reconstruída”, diz venezuelano que mora no Acre

Por André Gonzaga, da Folha do Acre

Técnico em refrigeração vê na queda do governo Maduro possibilidade de mudança

Fugindo da fome, da miséria e de condições de trabalho degradantes, centenas de venezuelanos fugiram para o Acre nos últimos anos. E muitos enxergam no sequestro do presidente Nicolás Maduro um sinal de transformação após mais de duas décadas de instabilidade política, colapso social e recessão econômica.

Entre eles está o técnico em refrigeração Nahum Soliz, de 43 anos, que vive há três meses com o filho pequeno na Casa de Acolhimento para Migrantes, no bairro do Bosque, em Rio Branco.

O trabalhador descreve um cenário de universidades fechadas, jovens sem condições de estudar e sistema de saúde em crise, onde mulheres chegam a dar à luz nas portas dos hospitais por falta de insumos.

“A nossa nação passou por 25 anos de ditadura, o que destruiu a economia e também o sistema social. Isso atingiu famílias, lares e sonhos. O desejo de todos nós é voltar, mas a uma Venezuela com princípios, valores, reconhecimento e tolerância”, afirmou.

Para ele, o povo não precisa de privilégios, mas de ocupação estável e remuneração adequada para garantir qualidade de vida. “Nós precisamos de dignidade e consideração. Por isso estamos aqui, acreditando que veremos um futuro melhor”, disse.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a crise já levou 5,4 milhões de venezuelanos a buscar refúgio em países vizinhos, como o Brasil. No Acre, a chegada de famílias tornou-se rotina, especialmente na capital, onde tentam reconstruir a vida em meio a adversidades.

Apesar dos obstáculos, relatos como o de Soliz mostram que a esperança de retorno permanece viva. Para os venezuelanos que hoje vivem por aqui, a queda do governo Maduro representa não apenas um episódio político, mas a possibilidade de recomeço em sua terra natal.

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