Técnico em refrigeração vê na queda do governo Maduro possibilidade de mudança
Fugindo da fome, da miséria e de condições de trabalho degradantes, centenas de venezuelanos fugiram para o Acre nos últimos anos. E muitos enxergam no sequestro do presidente Nicolás Maduro um sinal de transformação após mais de duas décadas de instabilidade política, colapso social e recessão econômica.
Entre eles está o técnico em refrigeração Nahum Soliz, de 43 anos, que vive há três meses com o filho pequeno na Casa de Acolhimento para Migrantes, no bairro do Bosque, em Rio Branco.
O trabalhador descreve um cenário de universidades fechadas, jovens sem condições de estudar e sistema de saúde em crise, onde mulheres chegam a dar à luz nas portas dos hospitais por falta de insumos.
“A nossa nação passou por 25 anos de ditadura, o que destruiu a economia e também o sistema social. Isso atingiu famílias, lares e sonhos. O desejo de todos nós é voltar, mas a uma Venezuela com princípios, valores, reconhecimento e tolerância”, afirmou.
Para ele, o povo não precisa de privilégios, mas de ocupação estável e remuneração adequada para garantir qualidade de vida. “Nós precisamos de dignidade e consideração. Por isso estamos aqui, acreditando que veremos um futuro melhor”, disse.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a crise já levou 5,4 milhões de venezuelanos a buscar refúgio em países vizinhos, como o Brasil. No Acre, a chegada de famílias tornou-se rotina, especialmente na capital, onde tentam reconstruir a vida em meio a adversidades.
Apesar dos obstáculos, relatos como o de Soliz mostram que a esperança de retorno permanece viva. Para os venezuelanos que hoje vivem por aqui, a queda do governo Maduro representa não apenas um episódio político, mas a possibilidade de recomeço em sua terra natal.
