sábado, 24 janeiro 2026

MPAC investiga morte de professora após procedimento médico considerado rotineiro em hospital privado

Redação Folha do Acre

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) anunciou a adoção de medidas para apurar as circunstâncias da morte da professora aposentada Nadir Nazaré Gomes de Souza, de 84 anos, ocorrida na manhã de quinta-feira, 22, em Rio Branco, após atendimento médico na rede privada de saúde.

De acordo com o MPAC, serão instauradas providências preliminares com o objetivo de esclarecer os fatos relacionados ao atendimento prestado no Pronto-Atendimento da Unimed. A paciente deu entrada na unidade para a realização de um procedimento considerado simples e rotineiro — a reposição de sódio para correção de hiponatremia —, porém apresentou agravamento do quadro clínico, evoluindo para óbito.

Segundo relatos da família, a prescrição médica previa a administração intravenosa lenta do sódio, ao longo de aproximadamente oito horas, protocolo adotado para reduzir o risco de complicações neurológicas. No entanto, a infusão teria sido realizada em cerca de uma hora e meia, possivelmente em razão de falha na bomba de infusão e da ausência de monitoramento adequado.

Ainda conforme os familiares, a administração acelerada provocou alterações graves no estado de saúde da paciente, com episódios de taquicardia, duas paradas cardíacas e, posteriormente, a confirmação de lesão neurológica irreversível. Com o agravamento do quadro, Dona Nadir foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu internada por 11 dias até a confirmação da morte.

O MP informou que, nos próximos dias, irá ouvir familiares que acompanharam o atendimento durante a internação, com atenção especial ao professor Sérgio Roberto Gomes de Souza, filho da paciente, docente do curso de História do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino de História da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Após as oitivas, o MPAC deverá instaurar inquérito criminal, com o apoio da Polícia Civil na apuração dos fatos. O órgão destacou que não será necessária a lavratura prévia de boletim de ocorrência por parte da família para o andamento das investigações.

Diante da complexidade técnica do caso, o MPAC avalia ainda a designação de um promotor de Justiça para acompanhar o procedimento de forma exclusiva, reforçando o compromisso institucional com uma apuração rigorosa, a responsabilização de eventuais falhas e a garantia de justiça à família da professora.

Com informações Notícias da Hora

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