O vice-prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, deve apoiar o prefeito Tião Bocalom em uma eventual disputa pelo Governo do Acre. Pessoas próximas ao vice afirmam que ele avalia a decisão como coerente com a função que exerce na gestão municipal e como um gesto de lealdade política ao prefeito.
Para evitar ser apontado como infiel à legenda, já que é filiado ao Progressistas (PP), partido da vice-governadora Mailza Assis, Alysson Bestene tem a opção de solicitar afastamento temporário das atividades partidárias durante os 45 dias do período eleitoral, o que permitiria a ele fazer campanha e declarar voto em Bocalom sem infringir as normas internas da sigla.
De acordo com interlocutores próximos, o vice-prefeito entende que o apoio ao prefeito seria compatível com a função que exerce atualmente na administração municipal e com a parceria política construída ao longo da gestão.
A expectativa é de que Tião Bocalom anuncie oficialmente sua pré-candidatura ao Governo do Estado na próxima segunda-feira, 19, durante uma coletiva de imprensa no auditório da Associação Comercial, Industrial, de Serviço e Agrícola do Acre (Acisa).
Enquanto isso, as articulações partidárias em torno do nome do prefeito seguem indefinidas. Questionado pela reportagem do jornal Folha do Acre sobre a possibilidade de o PSDB dar sustentação política a Bocalom em uma eventual disputa em 2026, o presidente estadual da sigla, Gledson Pereira, negou qualquer tratativa nesse sentido. Segundo ele, o partido integra a base do governador Gladson Camelí e da vice-governadora Mailza Assis.
“Reitero que o PSDB está na base do governo, tendo o deputado estadual Luiz Gonzaga como nosso parlamentar de mandato e fiel ao projeto. Sobre a possibilidade da vinda do prefeito da capital [Tião Bocalom], reafirmo que não passa de especulação”, afirmou Gledson Pereira.
Outro entrave para o projeto de Bocalom é a posição do Partido Liberal (PL). Conforme apurado pela Folha do Acre, a legenda não deve disponibilizar espaço para o prefeito disputar o governo estadual, uma vez que a prioridade do partido é a reeleição do senador Márcio Bittar. Ainda assim, fontes ouvidas pela reportagem afirmam que Bocalom não pretende recuar e estaria disposto a romper politicamente com seu principal aliado para manter a pré-candidatura.
“No PL ele não terá espaço. A prioridade é a reeleição do senador Márcio Bittar, mas, mesmo assim, eu duvido que ele abra mão da candidatura, sendo ele quem ele é. Sabemos o quão teimoso ele pode ser”, declarou a fonte.
A reportagem do jornal Folha do Acre tentou contato com o vice-prefeito Alysson Bestene e com o secretário de Articulação Política, Rennan Biths, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.
