Nos bastidores da política acreana, cresce a disputa interna no PL em torno da sucessão estadual de 2026. Embora o senador Márcio Bittar (PL) mantenha silêncio público sobre o tema, interlocutores próximos afirmam que ele não vê com bons olhos uma eventual candidatura do prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), ao governo do Estado.
De acordo com uma fonte ligada ao senador, Bittar avalia que a entrada de Bocalom na disputa majoritária poderia prejudicar seu principal objetivo eleitoral: a reeleição ao Senado. A estratégia defendida pelo parlamentar seria integrar o palanque do governador Gladson Cameli (PP) e de sua candidata ao governo, disputando, em uma “dobradinha”, as duas vagas ao Senado em 2026.
“O que ele quer mesmo é estar no palanque do Gladson e de sua candidata ao governo, disputando numa dobradinha as duas vagas para o Senado”, revelou a fonte ao Blog do Crica.
Segundo a mesma fonte, a tese de Bittar é de que o PL tenha apenas uma candidatura ao Senado no campo majoritário. O argumento é de que, além do apoio da máquina estadual, ele contaria com o respaldo político dos 16 prefeitos eleitos pelo grupo ligado ao Palácio Rio Branco. Com Tião Bocalom candidato ao governo, o senador teria de apoiá-lo, o que, na avaliação de seus aliados, implicaria a perda do suporte do governo estadual.
A divergência interna tende a ganhar novos capítulos. Informações apontam que o tema deverá ser levado à Executiva Nacional do PL, que decidirá se a legenda dará ou não aval à candidatura de Tião Bocalom ao governo. O prefeito, no entanto, não demonstra recuo. Segundo declarou ao Blog do Crica, não acredita que o partido negará legenda a um gestor “honesto, sem mancha na vida pública e bem posicionado nas pesquisas”, e prometeu anunciar sua pré-candidatura nos próximos dias.
“Como se fechará a porta de uma candidatura que se mostra vitoriosa em função da experiência, do conhecimento em todo o estado, da prática com o dinheiro público sem nunca ter se envolvido em escândalos de malversação, dos grandes resultados em cinco mandatos à frente dos Executivos de Acrelândia e Rio Branco, sempre defendendo o mesmo projeto de Produzir para Empregar, além de uma trajetória na direita que vem da antiga Arena e do PDS?”, afirmou Bocalom.
Márcio Bittar, por sua vez, nunca escondeu que seu foco político é apoiar o nome escolhido por Gladson Cameli para o governo e repetir a estratégia que resultou na eleição de Tião Bocalom à Prefeitura de Rio Branco: uma aliança sólida no Executivo estadual combinada com uma dobradinha ao Senado. Esse alinhamento explicaria, segundo aliados, sua resistência à candidatura de Bocalom ao Palácio Rio Branco.
Em entrevista recente ao programa Gazeta Entrevista, o senador evitou tratar diretamente da sucessão estadual. Negou ter adversários dentro do grupo político e afirmou que Mailza Assis, o senador Alan Rick (Republicanos) e o prefeito Tião Bocalom não são seus inimigos. No entanto, não revelou quem pretende apoiar para o governo.
Bittar afirmou ainda que as definições do PL para as eleições de 2026 devem começar a ser discutidas a partir de fevereiro e ressaltou que as decisões não caberão apenas aos diretórios estaduais. “O que vai acontecer em cada estado da federação no que diz respeito ao PL não será decidido apenas pelo diretório estadual, mas em sintonia com o diretório nacional. Vamos aguardar. Quem vai coordenar as relações do PL no Brasil são as regionais, mas sob coordenação do nacional”, declarou.

