domingo, 4 janeiro 2026

Líderes da América Latina reagem à prisão de Maduro e geram reações opostas

Por Mirlany Silva, da Folha do Acre

Após a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciada pelo governo dos Estados Unidos, líderes da América Latina se manifestaram neste sábado, 3, por meio de redes sociais e entrevistas, evidenciando posições divergentes sobre a ofensiva militar norte-americana e seus impactos políticos e diplomáticos.

O presidente do Equador, Daniel Noboa, utilizou a plataforma X para comentar a prisão de Maduro. “Todos os narcotraficantes chavistas enfrentarão o seu dia de acerto de contas. Toda a sua rede acabará por ruir em todo o continente. É hora de recuperar seu país. Vocês têm um aliado no Equador”, afirmou.

Na Bolívia, o ex-presidente Evo Morales se posicionou de forma contrária à ação dos Estados Unidos. Em publicação no Instagram, Morales declarou: “Repudiamos com total veemência o bombardeio dos EUA contra Venezuela. É uma agressão imperial brutal que viola sua soberania. Toda nossa solidariedade com o povo venezuelano em resistência. A Venezuela não está sozinha”, escreveu.

Em outra postagem, Morales fez críticas diretas ao presidente norte-americano Donald Trump, a quem comparou a líderes autoritários do passado. “Trump é o novo Hitler do mundo. Com a força das armas, a ambição dos recursos naturais, o ódio, a difamação e a criminalização de povos e líderes anti-imperialistas, invade, mata e assalta países impunemente”, escreveu.

O boliviano também defendeu que Trump e seus aliados sejam responsabilizados internacionalmente. “Os países do mundo devem se unir para colocá-lo perante o Tribunal Penal Internacional”, completou.

Já o presidente do Paraguai, Santiago Peña, avaliou a prisão de Maduro como positiva. Em publicação no Instagram, ele classificou o governo venezuelano como ilegítimo. “Há muito alertamos sobre a situação insustentável do regime ilegítimo, predatório e ditatorial de Nicolás Maduro, que causou tantos danos a esse nobre povo. Sua queda só pode ser uma boa notícia”, afirmou.

Peña acrescentou ainda que o Paraguai está “ao lado do povo venezuelano, que merece viver dias melhores em democracia, liberdade e paz”.

O presidente do Chile, Gabriel Boric, também se manifestou nas redes sociais e condenou a ação militar norte-americana. “Expressamos nossa preocupação e condenação às ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e apelamos por uma solução pacífica para a grave crise que afeta o país”, destacou.

Boric reforçou que “a crise venezuelana deve ser resolvida por meio do diálogo e do multilateralismo, e não por meio da violência ou da interferência estrangeira”.

Na Argentina, o presidente Javier Milei comentou o episódio em entrevista a um jornal local. Ele afirmou que a prisão representa a queda de um ditador. “Estamos assistindo à queda de um regime de um ditador que vinha trapaceando eleições e quis se agarrar ao poder”, declarou.

Milei também associou Maduro ao narcotráfico e a alianças internacionais. “É um narcoterrorista que tem como fonte de renda o narcotráfico e mantém vínculos com organizações e governos que impulsionam a esquerda radical no mundo”, disse.

O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, adotou uma postura crítica à intervenção militar. Em publicação na plataforma X, afirmou que “O governo uruguaio rejeita a intervenção militar e segue defendendo a busca por uma solução pacífica para a crise venezuelana”. Orsi ressaltou ainda que “os fins não justificam os meios” e informou que convocaria o Conselho de Ministros para acompanhar os desdobramentos do caso.

A prisão de Nicolás Maduro ocorreu após uma ofensiva militar de grande escala lançada pelos Estados Unidos na madrugada deste sábado, 3. Segundo Washington, ataques atingiram Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, resultando na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

De acordo com o governo norte-americano, o casal foi retirado da Venezuela por via aérea e está sob custódia dos Estados Unidos, em local mantido em sigilo por razões de segurança. As autoridades confirmaram apenas que Maduro será apresentado à Justiça em Nova York.

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