segunda-feira, 26 janeiro 2026

Lei cria política nacional para incentivar formação de professores da educação básica

Por André Gonzaga, da Folha do Acre

Deputada acreana Socorro Neri teve papel central na elaboração do texto aprovado pelo Congresso

Foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União (DOU) a Lei nº 15.344, de 13 de janeiro de 2026, que institui a Política Nacional de Indução à Docência na Educação Básica – Mais Professores para o Brasil. A iniciativa busca atrair jovens para a carreira docente, reduzir a evasão nos cursos de licenciatura e assegurar a presença de profissionais em regiões onde há maior escassez.

Uma das principais medidas é a concessão de bolsas a estudantes com bom desempenho no ensino médio que optarem por cursos presenciais de licenciatura. A prioridade será dada às graduações em áreas de conhecimento com falta de professores, conforme diagnóstico regional. Após concluir a formação, o profissional deverá ingressar em uma rede pública de ensino em até cinco anos e permanecer nela por, pelo menos, dois anos.

O auxílio também poderá ser destinado a bacharéis ou licenciados com formação pedagógica que decidirem atuar em localidades com déficit de docentes. Nesse caso, o bolsista deverá cursar pós-graduação voltada para a docência na educação básica durante o período de recebimento do benefício.

A lei prevê ainda a realização anual da Prova Nacional Docente (PND), que servirá de referência para concursos públicos e processos de seleção de professores. Estados e municípios que aderirem à prova deverão planejar a força de trabalho docente, realizar concursos menores e mais frequentes e modernizar os processos seletivos, incluindo etapas práticas.

Entre as medidas complementares estão campanhas públicas para divulgar as vantagens da carreira do magistério, o envolvimento de estudantes universitários em atividades de pesquisa e extensão em escolas da educação básica e ações voltadas para a saúde mental dos futuros professores.

A política será implementada em regime de colaboração entre União, estados, municípios e Distrito Federal, com mecanismos de controle social que envolvem especialistas, instituições formadoras, entidades representativas e gestores das redes de ensino.

A origem da lei remonta ao Projeto de Lei 3824/23, apresentado pelo senador Flávio Arns (PSB-PR). Na Câmara dos Deputados, o texto foi alterado e ganhou nova versão elaborada pela deputada Socorro Neri (PP), relatora na Comissão de Educação.

Essa política nasce para ampliar o acesso e a permanência nas licenciaturas, incentivar a atuação de professores nas redes públicas, especialmente onde mais faltam profissionais, valorizar a carreira docente, reduzir desigualdades e melhorar a qualidade do ensino básico em todo o país, ressaltou a parlamentar.

Após as mudanças no texto, a proposta retornou ao Senado, onde foi aprovada com parecer da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO). Com a sanção presidencial, a política passa a valer em todo o território nacional como um marco na valorização da carreira docente.

Valores das bolsas

Estudantes de licenciatura com alto desempenho no Enem: R$ 1.050 por mês, sendo R$ 700 liberados mensalmente e R$ 350 destinados a uma poupança vinculada, que só pode ser sacada após o ingresso do bolsista como professor na rede pública.

Bacharéis ou licenciados com formação pedagógica: R$ 2.100 mensais, pagos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por até 24 meses, desde que o bolsista curse pós-graduação voltada para a docência na educação básica durante o período da bolsa.

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