Vereador petista afirma que prefeito traiu o próprio campo político e aponta fragilidade nas alianças conservadoras
O vereador André Kamai (PT), pré-candidato à Câmara Federal, avalia que a decisão do prefeito de Rio Branco de disputar o governo do Acre representa uma quebra de confiança dentro da direita conservadora. Para ele, o gesto não é apenas uma escolha eleitoral, mas a revelação de um padrão: Tião Bocalom (PL) age em benefício próprio, mesmo quando isso significa trair aliados que o sustentaram no passado.
Kamai lembra que, em 2020, quando Bocalom venceu a eleição para o Executivo municipal, Mailza Assis, que era senadora, foi a única dentro do Progressistas a apoiá-lo. A atual vice enfrentou a resistência interna e a indicação do governador Gladson Cameli para garantir a permanência do ex-aliado.
Naquele momento, o partido se alinhava à candidatura de Socorro Neri, então no PSB, que buscava a reeleição após assumir a prefeitura herdada de Marcus Alexandre, quando ele fazia parte do PT. Hoje, Neri é deputada federal pelo PP, enquanto Marcus Alexandre assumiu a presidência do MDB no Acre.
Seis anos depois, o cenário se inverte. Agora, como pré-candidata ao governo, a sucessora natural de Gladson Camelí esperava reciprocidade. Em vez disso, Bocalom também lançou-se ao Palácio Rio Branco, embaralhando as cartas e ampliando as tensões entre os grupos que compõem a direita conservadora por aqui.
Para Kamai, o erro dos aliados foi acreditar que o prefeito fazia parte de um movimento coletivo: “só opera em favor de si mesmo”, disse. Segundo ele, até a defesa de Bolsonaro é circunstancial, sustentada apenas porque ainda rende votos no estado. “No dia em que não der mais, ele apaga as fotos do Instagram e finge que nunca conheceu.”
O vereador acrescenta que a decisão de Bocalom traiu também Márcio Bittar (PL), já que dificulta qualquer dobradinha com o governo e afasta o senador da possibilidade de reeleição. “São todos farinha do mesmo saco, nunca tiveram projeto para o Acre e estão num movimento de salve-se quem puder”, conclui Kamai.
Durante o anúncio da pré-candidatura, na segunda (19/1), o prefeito amenizou a ausência de Bittar no ato, dizendo que é o nome do Congresso que mais trouxe recursos para o estado e que ele não compareceu porque estaria de férias com a família em Mato Grosso. Nas redes sociais, onde faz postagens diárias, o parlamentar não publicou uma única palavra de apoio.
O que antes parecia uma frente unida contra adversários agora se mostra como um mosaico de projetos pessoais, em que cada liderança busca preservar seu espaço. Nesse tabuleiro, a candidatura de Bocalom não apenas desafia a vice-governadora, mas abre fissuras que podem redefinir o futuro político da direita.
Do lado oposto, a esquerda negocia somar forças em uma única chapa, que pode reunir PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede e PSB na tentativa de eleger o médico infectologista Thor Dantas ao governo. Porém, nada está definido até 4 de abril, quando encerra o prazo para filiação partidária e afastamento de ocupantes de alguns cargos públicos que vão concorrer neste ano.
