terça-feira, 13 janeiro 2026

Juiz aposentando é criticado por divulgar operação sigilosa em live após “invadir” sede da polícia

Por André Gonzaga, da Folha do Acre

A polêmica iniciou quando Edinaldo Muniz, juiz aposentado que hoje atua como motorista de aplicativo e se apresenta nas redes sociais como advogado e vereador voluntário, transmitiu ao vivo um comboio da Polícia Civil voltando para a sede da instituição em Rio Branco.

A cena, exibida na madrugada desta terça (13/1) em seu perfil no Instagram, mostrou veículos oficiais e agentes em movimento, enquanto o ex-magistrado insistia em obter informações sobre o que acontecia.

Ao seguir os carros e filmar placas e rostos de policiais, Muniz sugeriu que “se tratava de uma ação sigilosa”. E era mesmo. A operação “Casa Maior” cumpriu mais de 100 mandados contra integrantes do Comando Vermelho (CV) e provocou a ira imediata dos seguidores que acompanhavam as imagens.

Nos comentários, muitos apontaram imprudência e falta de responsabilidade.

O repórter fotográfico Diego Gurgel destacou que “investigações de meses foram expostas em uma live”. O vendedor Rodrigo Oliveira afirmou que “a iniciativa prejudicou ao invés de ajudar”.

O corretor de imóveis Sálvio Carlos Nascimento lembrou que “operações dependem de sigilo” e citou casos em que “criminosos escaparam justamente por informações vazadas”.

Outros internautas reforçaram a crítica. Geisse Araújo disse que “mostrar rostos e placas favorece o crime”. Glenna Suzuki avaliou que “a vontade de aparecer superou o bom senso”.

Wilson Albuquerque considerou a transmissão “uma irresponsabilidade” e defendeu que “órgãos como Polícia Civil, Ministério Público e até a OAB se manifestem sobre o episódio”.

A insatisfação registrada nas redes sociais mostra que parte da população espera maior prudência e equilíbrio em situações que envolvem segurança coletiva. A Polícia Civil ainda não se manifestou sobre o caso.

Após a repercussão negativa, Edinaldo Muniz resolveu retirar o conteúdo do ar, mantendo apenas uma versão reduzida da live que não expõe o rosto dos agentes e nem as placas de identificação dos veículos envolvidos no inquérito.

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