segunda-feira, 26 janeiro 2026

Governo injeta R$ 88 bilhões na economia e aumenta desafio fiscal até 2026

Por Mirlany Silva, da Folha do Acre

Um conjunto de oito programas recém-criados pelo governo federal deve injetar R$ 88 bilhões na economia até o fim de 2026, ano eleitoral, fortalecendo as pretensões políticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, segundo análise do banco BTG Pactual, o pacote também pode gerar pressão inflacionária e dificultar o controle das contas públicas.

O levantamento consta em relatório distribuído a clientes nesta segunda-feira, 26, e projeta que, impulsionado por essas medidas, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer 1,7% em 2026, após uma estimativa de crescimento de 2,2% em 2025.

Entre as iniciativas citadas pelo BTG Pactual estão políticas de crédito, transferências de renda e subsídios. Os principais programas e seus impactos estimados são:

– Crédito consignado privado: R$ 24 bilhões;
– Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil: R$ 31 bilhões;
– Gás do Povo: R$ 1,6 bilhão;
– Luz do Povo: R$ 4,3 bilhões;
– Reforma Casa Brasil: R$ 13,9 bilhões;
– Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida: R$ 7,7 bilhões;
– Novo modelo de crédito imobiliário: R$ 22,3 bilhões;
– Saque-aniversário do FGTS: impacto negativo de R$ 16,7 bilhões.

Segundo o relatório, as medidas somam R$ 88 bilhões em transferências de renda e crédito, sendo R$ 33 bilhões com impacto direto no resultado primário — principalmente a isenção do IR e o programa Gás do Povo. O restante não afeta diretamente o resultado primário, por se tratar de subsídios e políticas de crédito.

O BTG Pactual avalia que o espaço fiscal no curto prazo “parece menos restritivo” do que em anos anteriores, o que pode permitir o cumprimento da meta de resultado primário, especialmente com o apoio de receitas extraordinárias, como dividendos de estatais, leilões de petróleo e acordos tributários.

No entanto, o banco alerta que os fatores estruturais de aumento dos gastos continuam presentes, como a vinculação de benefícios ao salário mínimo, a indexação de despesas com saúde e educação à arrecadação, o envelhecimento da população e o alto grau de judicialização. Esses elementos, segundo o relatório, mantêm uma trajetória de crescimento das despesas incompatível com os limites do arcabouço fiscal.

A instituição financeira projeta que a dívida bruta do país chegue a 82,1% do PIB em dezembro de 2026, um aumento de 10,4 pontos percentuais durante o atual mandato presidencial. Para o BTG, o crescimento real de 2,5% ao ano do limite de despesas não é suficiente para estabilizar a dívida, a menos que o ajuste fiscal ocorra quase exclusivamente pelo aumento de receitas — cenário considerado limitado devido ao elevado nível da carga tributária.

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