Famílias afetadas pela enchente do Rio Acre e dos igarapés Batista e Redenção começaram a retornar às suas residências após cerca de duas semanas acolhidas em abrigos provisórios, nesta segunda-feira, 5, em uma operação coordenada pela Prefeitura de Rio Branco. O processo teve início no dia 31 de dezembro e a previsão da gestão municipal é concluir ainda hoje a desocupação das escolas utilizadas como abrigo, garantindo o início do ano letivo sem alterações no calendário.
Durante o período em que permaneceram acolhidas, as famílias receberam atendimento integral do município, com assistência social, acompanhamento psicológico, serviços de saúde e alimentação. A ação é conduzida pela Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec), em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos.
Segundo o diretor de Assistência Social e Direitos Humanos, Ivan Ferreira, o retorno está sendo realizado de forma organizada e segura, seguindo um plano de contingência elaborado para evitar riscos às famílias. Já o secretário municipal da pasta, João Marcus Luz, informou que, além do apoio no retorno, foram entregues sacolões, kits de higiene e limpeza e, em alguns casos, colchões e utensílios domésticos. As áreas atingidas também passaram por serviços de limpeza.
Apesar do avanço na desocupação dos abrigos, o monitoramento segue ativo. De acordo com o coordenador municipal de Defesa Civil, tenente-coronel Cláudio Falcão, 156 famílias foram impactadas pela cheia, das quais 53 estão atualmente em processo de retorno. Desde o início da enchente, em dezembro, mais de 150 famílias precisaram deixar suas casas e foram acolhidas em cinco escolas municipais, totalizando 409 pessoas entre homens, mulheres, crianças e adolescentes.
*Chuvas mantêm cenário de atenção na capital*
O retorno das famílias ocorre em meio a um novo período de chuvas intensas em Rio Branco. O nível do Rio Acre voltou a subir e amanheceu nesta segunda-feira com 10,76 metros, acima da cota de atenção, fixada em 10 metros. Em 24 horas, o volume de chuva acumulado na capital chegou a 74,60 milímetros.
As precipitações interromperam a sequência de vazante iniciada após o rio atingir 15,41 metros no dia 29 de dezembro, pico da cheia registrada no fim de 2025. Até a medição das 18h do domingo (4), o nível estava em 10,62 metros, mas voltou a subir durante a noite, mantendo tendência de leve elevação na madrugada.
O transbordamento do Rio Acre ocorreu no dia 27 de dezembro e mobilizou equipes da Defesa Civil e da prefeitura para a instalação de abrigos emergenciais. Levantamento da Defesa Civil Municipal, com base em 55 anos de monitoramento hidrológico, aponta que apenas uma vez o rio havia transbordado no mês de dezembro, em 26 de dezembro de 1975.
A cheia do Rio Acre e o transbordamento de igarapés no fim de 2025 atingiram pelo menos 20 bairros de Rio Branco e impactaram mais de duas mil famílias, levando o município a decretar situação de emergência.

