quinta-feira, 8 janeiro 2026

EUA querem vender e controlar petróleo venezuelano, diz secretário de Energia americano

Por Mirlany Silva, da Folha do Acre

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, apresentou nesta quarta-feira, 7, as diretrizes da política energética americana em relação à Venezuela após a retirada do ditador Nicolás Maduro do poder, em discurso na conferência anual de energia promovida pelo Goldman Sachs em Miami.

Wright afirmou que o governo americano pretende vender o petróleo venezuelano e depositar os recursos em contas controladas pelos Estados Unidos, como parte de uma estratégia para impulsionar mudanças políticas no país sul-americano. Segundo ele, parte desse petróleo seria destinada às refinarias norte-americanas, com outra parte acessível ao mercado global sob supervisão dos EUA.

“Os EUA precisam controlar as vendas de petróleo para mudar a Venezuela”, declarou o secretário na conferência, acrescentando que “a Venezuela não vai mudar a menos que os Estados Unidos exerçam alavancagem”. Wright enfatizou que o controle das vendas e dos recursos financeiros gerados por elas é visto por Washington como um instrumento de pressão política e influência externa.

De acordo com Wright, a energia venezuelana representa uma grande oportunidade estratégica. Ele estimou que a produção do país poderia crescer “várias centenas de milhares de barris adicionais no curto a médio prazo” caso sejam criadas condições favoráveis para que empresas americanas entrem no setor, inclusive com importação de equipamentos, peças e serviços para reconstruir a infraestrutura petrolífera local.

O secretário destacou ainda que o petróleo que a Venezuela entregará aos Estados Unidos virá de estoques existentes, conforme já anunciado pelo presidente Donald Trump. Segundo ele, esse volume poderá ser comercializado tanto no mercado doméstico quanto no mercado global, sempre sob o controle de Washington.

“Em vez de bloquear o petróleo como ocorre atualmente, vamos permitir que ele flua”, afirmou Wright, acrescentando que o governo norte-americano pretende vender o produto a compradores nos Estados Unidos e em outros países.

De acordo com o secretário, os EUA venderiam indefinidamente a produção proveniente da Venezuela. As operações seriam controladas pelo governo americano, e a receita obtida com as vendas seria “depositada em contas controladas pelo governo dos Estados Unidos”.

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