O empresário André Borges, preso pela Polícia Federal durante a Operação Inceptio, que apura um esquema interestadual de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, se manifestou publicamente após a prisão. Em publicação nas redes sociais, ele disse manter a “consciência tranquila” e acredita que “o tempo mostrará a verdade”.
Na mensagem, André relata que já foi tratado como “vilão” em histórias contadas por outras pessoas e afirma que, atualmente, não se preocupa mais com julgamentos externos. “Prefiro minha paz, minha consciência tranquila, e depois que eu aprendi que o tempo mostra a verdade, não fico mais querendo me explicar pra ninguém”, escreveu.
Apontado pela Polícia Federal como um dos responsáveis pela movimentação financeira do grupo investigado, André Borges foi preso na Bahia. Segundo os investigadores, o esquema utilizava empresas de fachada para ocultar recursos oriundos do tráfico de drogas. Ele foi um dos cinco empresários com atuação no Acre detidos durante a operação.
Ainda na publicação, o empresário afirmou acreditar que “as maiores bênçãos chegam logo após as maiores provações” e concluiu dizendo que “Deus é justo”. Para ele, mesmo que não seja possível anular os efeitos das acusações, a “colheita” virá com o tempo. “Todo mundo é vilão na história que alguém contou sem te dar a oportunidade de se defender, mas deixa que o tempo vai passar e mostrar a verdade”, declarou.
A Operação Inceptio foi deflagrada em setembro de 2025 e teve início em Rio Branco, com desdobramentos em outros sete municípios de seis estados. Ao todo, cinco empresários com atuação no Acre foram presos, entre eles os irmãos John Müller, Mayon Ricary e Marck Johnnes Lisboa, além dos sócios André Borges e Douglas Henrique Silva da Cruz. O grupo é conhecido por promover eventos de grande porte e atuar nos setores de construção civil, produção artística e gestão de casas noturnas.
De acordo com a Polícia Federal, os investigados são suspeitos de enviar grandes carregamentos de drogas a partir do Acre para as regiões Nordeste e Sudeste do país. Os recursos obtidos com o tráfico, conforme a investigação, eram movimentados por meio de contas bancárias, criptoativos e empresas de fachada. A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 130 milhões em contas e o sequestro de bens avaliados em aproximadamente R$ 10 milhões.
Os investigados devem responder pelos crimes de tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A operação segue em andamento com desdobramentos em outros cinco estados: Rondônia, Minas Gerais, Bahia, Paraíba e São Paulo.
Em nota, a defesa dos irmãos Lisboa e de Douglas Henrique Silva da Cruz informou que os clientes estão à disposição para colaborar com as investigações e confiam na apuração rigorosa e imparcial dos fatos pela Polícia Federal e pelo Poder Judiciário. Até o momento, não houve manifestação oficial da defesa de André Borges sobre as acusações.

