Uma operação conjunta realizada pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), Vigilância Sanitária, Procon, Polícia Militar e Polícia Civil resultou na apreensão de toneladas de alimentos impróprios para consumo humano e na prisão em flagrante de proprietários de supermercados no município de Sena Madureira, no interior do Acre. A ação expôs um cenário considerado grave de risco à saúde pública.
De acordo com o promotor de Justiça Wanderley Barbosa, foram apreendidas quase duas toneladas de produtos, entre carnes, peixes, ovos, frango e açaí, muitos deles perecíveis, sem procedência e armazenados em condições insalubres. Em um dos estabelecimentos, foram recolhidos cerca de 1,4 tonelada de carne bovina e suína, considerada imprópria para consumo.
“Foi apreendida quase duas toneladas de produto impróprio para o consumo, carne, peixes, ovos, frango, açaí. Então, muito produto perecível, muita mercadoria imprópria para o consumo, com data de validade precisa, sem procedência, em condições insalubres de armazenamento”, afirmou o promotor.

Segundo ele, em um dos supermercados, foi necessário o uso de uma carreta para transportar o material apreendido. Os proprietários dos dois estabelecimentos fiscalizados foram presos em flagrante pelo crime de comercialização de alimentos impróprios, previsto na legislação sanitária, cuja pena pode variar de dois a cinco anos de detenção, além de multa.
Durante a fiscalização, as equipes encontraram câmaras frias em condições precárias, com forte odor, sangue escorrendo pelo chão e carne armazenada sobre resíduos orgânicos. Também foi identificado veneno de rato armazenado junto a produtos alimentícios, incluindo leite destinado ao consumo infantil.
“Quase uma tonelada e meia de carne, a maioria carne, bovina e suína imprópria para o consumo. Podre, estragada, más condições de armazenamento. No chão, cheio de bicho, cheio de mosca, a maior seboseira que eu já vi na minha vida”, declarou Barbosa.
Outro ponto que chamou atenção dos fiscais foi a suspeita de reaproveitamento de carnes estragadas para a fabricação de linguiça. Um funcionário relatou que a carne deteriorada era separada, temperada e moída para ser vendida como embutido.
“Um funcionário confessou que a carne estragada era separada para fazer linguiça. Não sou eu que estou inventando. Ele disse: ‘isso aqui está separado para a gente fazer linguiça’. A carne estava totalmente preta, eles colocam um produto, temperam, moem e fazem a linguiça”, disse.
Além das prisões, os órgãos envolvidos lavraram autos de infração sanitária e devem ajuizar ações civis contra os responsáveis. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a responsabilidade criminal dos proprietários e de outros possíveis envolvidos na cadeia de comercialização dos produtos.
O promotor destacou que a fiscalização será intensificada no município e que novas operações devem ser realizadas para coibir esse tipo de prática.
