terça-feira, 27 janeiro 2026

“É a maior seboseira que já vi na vida”, diz promotor sobre apreensão de alimentos impróprios em supermercados de Sena Madureira

Por Mirlany Silva, da Folha do Acre

Uma operação conjunta realizada pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), Vigilância Sanitária, Procon, Polícia Militar e Polícia Civil resultou na apreensão de toneladas de alimentos impróprios para consumo humano e na prisão em flagrante de proprietários de supermercados no município de Sena Madureira, no interior do Acre. A ação expôs um cenário considerado grave de risco à saúde pública.

De acordo com o promotor de Justiça Wanderley Barbosa, foram apreendidas quase duas toneladas de produtos, entre carnes, peixes, ovos, frango e açaí, muitos deles perecíveis, sem procedência e armazenados em condições insalubres. Em um dos estabelecimentos, foram recolhidos cerca de 1,4 tonelada de carne bovina e suína, considerada imprópria para consumo.

“Foi apreendida quase duas toneladas de produto impróprio para o consumo, carne, peixes, ovos, frango, açaí. Então, muito produto perecível, muita mercadoria imprópria para o consumo, com data de validade precisa, sem procedência, em condições insalubres de armazenamento”, afirmou o promotor.

Segundo ele, em um dos supermercados, foi necessário o uso de uma carreta para transportar o material apreendido. Os proprietários dos dois estabelecimentos fiscalizados foram presos em flagrante pelo crime de comercialização de alimentos impróprios, previsto na legislação sanitária, cuja pena pode variar de dois a cinco anos de detenção, além de multa.

Durante a fiscalização, as equipes encontraram câmaras frias em condições precárias, com forte odor, sangue escorrendo pelo chão e carne armazenada sobre resíduos orgânicos. Também foi identificado veneno de rato armazenado junto a produtos alimentícios, incluindo leite destinado ao consumo infantil.

“Quase uma tonelada e meia de carne, a maioria carne, bovina e suína imprópria para o consumo. Podre, estragada, más condições de armazenamento. No chão, cheio de bicho, cheio de mosca, a maior seboseira que eu já vi na minha vida”, declarou Barbosa.

Outro ponto que chamou atenção dos fiscais foi a suspeita de reaproveitamento de carnes estragadas para a fabricação de linguiça. Um funcionário relatou que a carne deteriorada era separada, temperada e moída para ser vendida como embutido.

“Um funcionário confessou que a carne estragada era separada para fazer linguiça. Não sou eu que estou inventando. Ele disse: ‘isso aqui está separado para a gente fazer linguiça’. A carne estava totalmente preta, eles colocam um produto, temperam, moem e fazem a linguiça”, disse.

Além das prisões, os órgãos envolvidos lavraram autos de infração sanitária e devem ajuizar ações civis contra os responsáveis. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a responsabilidade criminal dos proprietários e de outros possíveis envolvidos na cadeia de comercialização dos produtos.

O promotor destacou que a fiscalização será intensificada no município e que novas operações devem ser realizadas para coibir esse tipo de prática.

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