O processo eleitoral da Universidade Federal do Acre (Ufac) deixou de ser tratado como mera formalidade. O que parecia caminhar para uma escolha previsível agora se desenha como embate real, com dois nomes que concentram as atenções da comunidade acadêmica.
De um lado está o vice-reitor Josimar Batista, engenheiro agrônomo que há anos ocupa posições de destaque na instituição. Sua movimentação começou cedo, sustentada pela visibilidade do cargo e pela expectativa de continuidade.
Nos últimos meses, porém, ele passou a adotar um tom crítico em relação à gestão da atual reitora Guida Aquino. O gesto confere autonomia, mas também levanta dúvidas sobre a consistência da ruptura, que ocorreu às vésperas do processo eleitoral.
Ao lado do professor Marco Amaro, engenheiro florestal, Batista apresenta uma chapa de perfil técnico, mais próxima das ciências agrárias, o que pode restringir o diálogo com áreas como educação, saúde e humanas.
Do outro lado surge o pró-reitor de Extensão Carlos Morais. Formado em filosofia e teologia, prefere avançar sem pressa, apostando em escuta e diálogo. Ainda sem oficializar a candidatura, constrói sua narrativa em torno da ideia de renovação sem ruptura.
Com apoio da atual administração, ele trouxe para a discussão o nome da professora Almecina Balbino, pesquisadora reconhecida nacionalmente e pró-reitora de inovação e tecnologia. A presença dela amplia o alcance da chapa e reforça a expectativa de representatividade feminina na direção da Ufac.
O cenário, portanto, é de uma eleição mais disputada do que se imaginava. O resultado dependerá menos de alianças antecipadas e mais da capacidade de cada candidato em articular propostas, construir pontes e interpretar corretamente o momento institucional.
O futuro da universidade está em jogo, e a escolha refletirá não apenas trajetórias individuais, mas também o rumo que a comunidade acadêmica deseja para os próximos anos.

