sexta-feira, 16 janeiro 2026

De olho no Senado, Marina Silva espera decisão de Lula para definir rumo político

Por Mirlany Silva, da Folha do Acre

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, aguarda uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para definir seu futuro político nas eleições deste ano. O diálogo é considerado decisivo para selar o destino eleitoral da ministra, que avalia mudanças partidárias e uma possível candidatura ao Senado Federal.

Nos últimos meses, Marina passou a discutir internamente a possibilidade de deixar a Rede Sustentabilidade, partido que ajudou a fundar, e retornar ao PT ou se filiar a outra sigla da base governista. O movimento ganhou força em meio à disputa interna na Rede, hoje comandada pelo grupo político da deputada Heloisa Helena, o que tem gerado desgaste e incertezas quanto ao espaço da ministra dentro da legenda.

Apesar do interesse em concorrer ao Senado, a decisão de Marina depende de uma série de definições que compõem o xadrez eleitoral de 2026. Um dos principais pontos ainda em aberto envolve o futuro político do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na última quarta-feira, 14, Haddad e Lula participaram de um almoço que se estendeu por mais de três horas. Segundo aliados, o presidente estaria disposto a pressionar o ministro a disputar o Governo de São Paulo, alternativa considerada estratégica para a montagem de um palanque forte no maior colégio eleitoral do país. Outra hipótese seria uma candidatura de Haddad ao Senado, embora ele tenha afirmado, até o momento, que não pretende disputar eleições neste ano.

A possível volta de Marina ao PT está diretamente ligada a essa articulação nacional. O cenário considerado ideal por aliados do presidente seria Haddad na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, com duas candidaturas competitivas ao Senado por São Paulo, entre elas Marina Silva e a ex-ministra Simone Tebet. Essa composição fortaleceria o projeto eleitoral de Lula no estado.

Além das conversas com o PT, Marina também tem sido sondada por outras legendas, como PSOL e PSB, que integram ou dialogam com a base de apoio do governo federal. A forma como esses partidos irão se alinhar à candidatura de Lula também pode influenciar a decisão final da ministra.

Apesar das articulações, Marina descarta a possibilidade de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, alternativa defendida por setores do PT. A pessoas próximas, ela tem afirmado que, caso essa seja a única opção colocada, prefere não disputar a eleição neste ano, mantendo-se fora da corrida eleitoral.

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