A Polícia Civil do Acre deu continuidade, nesta quarta-feira, 14, ao cumprimento de ordens judiciais no âmbito da investigação que apura supostas irregularidades envolvendo a Clínica UPAS, localizada em Rio Branco e pertencente ao ex-deputado estadual Raimundinho da Saúde. A ação desta manhã corresponde ao segundo mandado de busca e apreensão realizado pela força-tarefa, desta vez com foco no depósito vinculado à clínica, conforme informou o delegado responsável pelo caso.
Durante a diligência, equipes vistoriaram documentos, equipamentos e outros materiais que poderão subsidiar os próximos passos da apuração, que tramita há cerca de dois anos. O procedimento investiga possíveis crimes contra a administração pública, incluindo suspeitas de fraudes e lavagem de dinheiro.
Em entrevista à imprensa na manhã desta quarta-feira, o ex-parlamentar comentou a operação e afirmou colaborar com as autoridades. Segundo ele, os materiais mantidos no depósito possuem documentação fiscal regular e origem lícita. “Todos os nossos materiais e medicamentos têm nota fiscal, comprados de representantes legais. É um trabalho excelente do Ministério Público e da Polícia Civil. Tem que investigar, saber onde foram parar esses medicamentos que muitas vezes fazem falta na rede pública”, declarou.

A investigação teve início há aproximadamente dois anos e, na fase inicial, resultou na prisão de Eugênio Gonçalves, de 74 anos, conhecido como “veinho Eugênio”. De acordo com a polícia, ele foi encontrado em posse de grande quantidade de materiais e documentos que teriam relação com o objeto investigado.
Questionado sobre eventual vínculo com o investigado, Raimundinho afirmou que Eugênio é conhecido no bairro onde a clínica está localizada, mas negou qualquer relação comercial. “Ele é uma figura conhecida aqui do bairro. Anda pela rua, todo mundo conhece”, disse. Indagado se teria recebido oferta de medicamentos, respondeu que a clínica não trabalha com venda de fármacos. “Nós somos uma clínica de consultas e exames. Não vendemos medicamentos.”
Ao final, o ex-deputado defendeu a ampliação das verificações. “Tem que verificar todas as clínicas de Rio Branco e até alguns hospitais particulares, ver onde foram parar esses medicamentos e trazer tudo à luz da sociedade. Estamos à disposição da imprensa e da Justiça para quaisquer esclarecimentos”, concluiu.
As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil, com acompanhamento do Ministério Público do Acre.
