sábado, 10 janeiro 2026

Chacina familiar: homem mata pastor, madrasta, irmãs e sobrinho a facadas em Juiz de Fora

Por André Gonzaga, da Folha do Acre

Tragédia familiar expõe falhas no cuidado com saúde mental e deixa cidade em luto

Um homem foi preso em flagrante na manhã da última quarta-feira (7/1), acusado de assassinar o pai, a madrasta, duas irmãs e um sobrinho de cinco anos, todos a facadas, em Juiz de Fora (MG).

O crime, descrito pela polícia como uma das maiores chacinas familiares da região, abalou os 567.730 mil moradores da cidade e trouxe à tona a discussão sobre saúde mental e violência doméstica.

Na manhã de ontem (8/1), foram sepultados, no Cemitério Parque da Saudade, os corpos do pastor aposentado João Batista Fernandes de Souza, 74, e de sua esposa, Neide Fernandes Faria de Souza, 63.

À tarde, no Cemitério Municipal, foram enterradas as irmãs e o sobrinho do suspeito do crime: Mônica dos Santos Souza, 47, Rachel dos Santos Souza, 43, e Gabriel Souza Costa, de apenas 5 anos. Os velórios ocorreram de forma reservada, com acesso restrito a familiares e amigos.

Jonathas dos Santos Souza, 42, filho de João Batista, confessou os homicídios, mas apresentou versões contraditórias. Em um primeiro depoimento, alegou que teria sido motivado por dívidas. Mais tarde, disse que a causa seriam atritos domésticos.

A Delegacia de Homicídios apura os fatos e investiga se há laudo sobre transtornos mentais que possam ter influenciado sua conduta. Segundo a Polícia Militar (PMMG), o caso ocorreu por volta das 7h da manhã. Ele teria ido ao terreno onde a família vivia em casas separadas.

As autoridades consideram que o primeiro a ser morto foi o pai, seguido da madrasta, das irmãs e do sobrinho. Um dos irmãos encontrou os corpos, acionou a polícia e relatou que o suspeito sofria de surtos e apresentava comportamento agressivo.

Ele foi localizado pelos militares em seu apartamento, onde lavava uma faca, supostamente usada no crime, e se preparava para limpar roupas manchadas de sangue. A arma foi apreendida.

João Batista, vítima que liderou por anos a Igreja do Nazareno no bairro Santa Cecília, enfrentava tratamento contra câncer de próstata. O Conselho de Pastores de Juiz de Fora divulgou nota lamentando a tragédia e desejando paz aos sobreviventes.

O episódio, registrado por câmeras de segurança, permanece em análise pela polícia. As imagens devem ajudar a esclarecer a dinâmica da barbárie. Enquanto isso, a cidade se vê diante de uma tragédia que não pode ser reduzida a estatística.

A violência no núcleo familiar, explorada em sua forma mais extrema, revela não apenas o drama privado, mas também o prejuízo em lidar com os vínculos que se desfazem e o adoecimento coletivo.

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