quinta-feira, 8 janeiro 2026

Brasil não está mais avançado porque sempre se utilizou a palavra ‘gasta-se muito’, afirma Lula

Por Mirlany Silva, da Folha do Acre

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 7, que o Brasil deixou de avançar em diversas áreas ao longo dos anos por conta de uma cultura política que prioriza o discurso de contenção de gastos em detrimento do investimento público. A declaração foi feita durante a cerimônia de anúncio da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo Lula, projetos estruturantes frequentemente foram interrompidos ou adiados sob o argumento de que “não havia dinheiro” ou de que as iniciativas seriam “caras demais”. Para o presidente, esse tipo de postura impediu o país de alcançar um patamar mais elevado de desenvolvimento.

“Quando a gente determina um projeto, não podemos ouvir a palavra ‘não tem dinheiro’, ‘não posso fazer’. O Brasil não está mais avançado, melhor ou em outro patamar, porque, neste País, sempre se utilizou a palavra ‘gasta-se muito’, ‘é muito caro’, ‘não dá para fazer’. E a gente nunca se perguntou quanto custou a gente não ter feito as coisas na hora em que deveria fazer”, afirmou o presidente.

Durante o discurso, o presidente voltou a criticar a extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), derrubada pelo Congresso Nacional em 2007. Lula disse que a decisão foi tomada com o objetivo de enfraquecê-lo politicamente, mas que, na prática, prejudicou o financiamento da saúde pública. De acordo com ele, o SUS deixou de receber bilhões de reais por ano com o fim da contribuição. “Passamos todo esse tempo faltando a CPMF, que tão bem poderia ter ajudado a saúde neste País”, declarou.

Lula também elogiou o papel do SUS e destacou a importância da rápida aplicação dos recursos que serão emprestados pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco dos Brics, para a construção de hospitais inteligentes no país. O presidente citou a atual presidente da instituição, Dilma Rousseff, além do Ministério da Fazenda e do Ministério da Saúde, ao pedir agilidade na liberação e no uso dos recursos.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a construção dos novos hospitais deve levar de três a quatro anos. Lula ressaltou ainda que a atuação do SUS durante a pandemia de Covid-19 reforçou a legitimidade do sistema junto à população brasileira. Para ele, a resposta à crise sanitária foi fundamental para a recuperação da imagem da rede pública de saúde.

“A recuperação da imagem que o SUS conquistou no Brasil depois da apoteótica participação para salvar gente da Covid-19 deu ao SUS uma legitimidade que a gente já sabia que tinha”, concluiu.

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