sexta-feira, 9 janeiro 2026

Base do governo diz que Mailza já teria fechado aliança com MDB se não fosse resistência de Gladson

Por Mirlany Silva, da Folha do Acre

As articulações políticas em torno das eleições de 2026 no Acre seguem marcadas por divergências internas na base do governo. Um deputado governista revelou, em conversa com o Blog do Crica, que, se dependesse da vice-governadora Mailza Assis (PP), a aliança com o MDB já estaria oficializada.

Segundo a fonte, o principal entrave seria a postura do governador Gladson Cameli (PP), que não tem demonstrado interesse em avançar nas negociações com o MDB.

De acordo com o parlamentar, Gladson nunca foi entusiasta de uma composição com o MDB e acredita que é possível vencer a disputa eleitoral sem o apoio da sigla. Essa resistência do governador tem travado um acordo que, nos bastidores, é considerado estratégico por parte da base aliada.

As informações contrastam com declarações públicas feitas no fim de 2025. Em dezembro, o secretário de Governo do Estado (Segov), Luiz Calixto, afirmou que as articulações com o MDB estavam em estágio avançado para a integração do partido à chapa liderada por Mailza Assis. Na ocasião, Calixto declarou que “o prego está batido” e que “a conta já está virada”, destacando que a base de apoio da vice-governadora já contava com uma federação formada por PP e União Brasil, além do apoio de PSDB, PDT, Podemos e Solidariedade.

No mesmo período, o presidente estadual do MDB, Vagner Sales, também sinalizou alinhamento com o grupo governista. Ele afirmou que o partido já havia definido seu posicionamento para as eleições de 2026, optando por uma aliança com o grupo do governador Gladson Cameli e da vice-governadora Mailza Assis, restando apenas uma reunião para o anúncio oficial da parceria.

Em outra declaração, porém, Vagner Sales ressaltou que o avanço da aliança já não dependia mais do MDB. “Nós fizemos a nossa parte, depende agora dela [vice-governadora Mailza] marcar a data para celebração da aliança. Não temos mais nada a fazer”, afirmou.

Outro fator que adiciona tensão ao cenário é a relação do governo com o senador Márcio Bittar (PL). Conforme a mesma fonte, o senador deverá ser chamado, em breve, para uma conversa direta com o governador, na qual será questionado sobre o apoio à eventual candidatura de Mailza Assis ao governo do Estado. Caso Bittar se posicione contra, a orientação seria pelo rompimento de todos os vínculos políticos dele com a gestão estadual.

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